Pai e Filho – Unidos pelo esporte e literatura

No mês em que se comemora o Dia dos Pais a Revista conversou com os associados Luiz Alberto Machado e Guga Machado, que escreveram um livro a quatro mãos. Em Das Quadras Para a Vida – Lições do Esporte nas Relações Pessoais e Profissionais, pai e filho contam o que aprenderam na prática do esporte e levaram como aprendizado para o dia a dia. Luiz Alberto e Guga foram atletas do Basquete e do Futebol do ECP e hoje levaram para a vida os ensinamentos adquiridos na quadra e no campo.

Entrevista

Como surgiu a ideia de escreverem um livro juntos?

Luiz Alberto No ano passado nós estávamos na Itália e eu tinha saído da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) depois de 35 anos. O Guga estava com a agenda de shows reduzida para o segundo semestre. Eu já tinha feito com ele uma palestra com esse título. E ele disse “que tal se a gente escrevesse um livro?”. Eu falei “vamos pensar quando chegarmos em São Paulo”. Aí nós fomos ao lançamento de um livro de uma amiga minha na Editora Trevisan e comentei com o dono. Ele disse “pode colocar no papel que publico”

Como foi o processo de criação do livro?

Guga machado Como já tínhamos a palestra pronta, já havia o esqueleto da ideia ali. Fomos destrinchando alguns tópicos que achávamos que tinha como fazer essa analogia do esporte e do que usamos no nosso dia a dia. E falamos sobre 11 tópicos no livro, por exemplo, liderança, respeito, responsabilidade e desprendimento. Escrevemos separadamente, depois comparávamos e eu falava do que aprendi no esporte, tanto no Basquete quanto no Futebol, e que uso na minha profissão de músico. E ele falava o que aprendeu no Basquete e usa na vida acadêmica dele.

O fato de vocês serem pai e filho ajudou na hora de escrever?

LA Sim. Tem uma coisa que parece simples, mas na hora de escrever o livro, fiquei em dúvida: tem hora que é “nós” e tem hora que é “eu”. Daí falei “melhor você escrever a sua parte e depois pensamos em como unir os dois relatos”. Ele foi escrevendo sobre cada um dos 11 itens e eu fui escrevendo a parte comum e depois, com base no que ele escreveu, redigi também as minhas experiências.

Depois de fazer esse trabalho juntos, mudou algo na relação de vocês?

Gm Acho que não. Já sabíamos tudo um do outro, não teve nenhuma revelação bombástica (risos).

LA Foi uma experiência superlegal. Eu tenho outro livro meu publicado e vários capítulos escritos por mim em outros livros, aqui e no exterior. Mas essa experiência foi muito mais gostosa. Primeiro, por estar escrevendo com ele. Segundo, por ser um tema que adoramos. Falamos basicamente sobre esporte, esporte aplicado à vida profissional.

Os ensinamentos do esporte servem também para amadores?

LA O que o esporte ensina não depende de o cara ter sido supercampeão. Jogando na praia ou na várzea dá para aprender, mas precisa prestar atenção. Qualquer pessoa pode se identificar com partes do livro.

O esporte também te ensinou a ser um pai diferente?

LA Sim. A tradição começou com meu pai. Minha esposa é irmã de um cara que foi campeão do mundo de Basquete. Ela também cresceu no esporte. Meu pai nos incentivou. Eu e minha esposa incentivamos o nosso filho. O esporte faz parte da nossa vida.

Você lembra de algum conselho do seu pai que surgiu dessa relação com o esporte?

Gm Quando estava já parando de jogar Basquete, estava no Cadete e já estava jogando menos, teve um jogo em Bauru que joguei pouco, entrei no fim do jogo, perdi duas bolas. Perdemos a partida. Eu já estava desanimado. Cheguei em casa e no dia seguinte não vim para o treino. Decidi parar de jogar. Quando meu pai chegou em casa falei para que ia parar. Ele disse que tudo bem, mas que esse ano deveria ir até o final, pois meu time contava comigo. Talvez um pai que nunca tivesse treinado e jogado, falasse que tudo bem, para parar antes do fim. Mas ele disse para continuar até o final. Isso eu nunca esqueci: tudo o que eu começo, vou até o final, mesmo que eu não queira, porque é time.

Como é ter um pai técnico, pai parceiro e pai dentro de casa?

Gm Ele é um exemplo, me ensina não só como pai as coisas fora do esporte, como me ensinou dentro do esporte. Até a nossa personalidade dentro de quadra é bem parecida, porque nenhum dos dois gosta de perder, ele é um cara levemente explosivo. Eu também, como qualquer pessoa que quer ganhar, acaba se exaltando algumas vezes.

Qual é a importância do ECP para vocês?

La Eu e minha esposa fazemos essa pergunta: “o que seria viver em São Paulo se não fosse o Clube?” Quando nós nos casamos decidimos que não íamos ter casa em praia, nem em campo. O que gastaríamos de tempo e de dinheiro nós guardamos para viajar. Outra razão é que eu fazia esporte e imaginava que meu filho ia fazer esporte, como de fato fez. E aí era sábado e domingo jogo de Futebol dele. O Pinheiros faz parte da nossa vida, a gente vem aqui praticamente todos os dias.

Gm Eu nasci aqui e uma coisa curiosa é que os meus amigos de verdade são do Pinheiros. São os amigos que tenho desde o “Fraldinha”, que são meus melhores amigos até hoje. Eu frequento o Clube todos os dias. O lance do hobby eu levo tão a sério quanto a minha profissão de músico.

Vocês vão fazer uma palestra no Clube em setembro. Como será?

LA A palestra é baseada no livro, mas como aqui vai ter muita gente conhecida, vai ser algo muito interativo. Vamos rever amigos. Eu com 13 anos joguei pela seleção brasileira e fui disputar um campeonato em Porto Rico. Quero ver se arrumo pelo menos metade daquela seleção aqui. Caras que não vemos há muitos anos. Alguns não, alguns vejo sempre.

Gm É capaz de ter umas participações.

 

Foto: Rafael Ianni