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Pai em período integral

A comemoração do Dia dos Pais terá um gostinho especial este ano. Desde o início do isolamento social, diversas famílias tiveram que adaptar a rotina e aderir à quarentena dentro de casa, e com isso a convivência entre pais e filhos ficou mais intensa, desafiadora e cheia de histórias.

Em meio a tantas incertezas, ansiedades e preocupações, o fisioterapeuta esportivo Tiago Testa viu sua primeira filha, Laís, nascer na quarentena. “Fui privilegiado por ter uma ‘licença paternidade’ no mesmo tempo que a licença da mãe. Estou em casa desde o dia 18 de março e ela nasceu no dia 24. Até então estou com elas vendo todo esse crescimento, esse desenvolvimento, tanto da minha filha quanto da minha mulher como mãe.”

Laís vem de uma família ligada ao esporte: o pai é fisioterapeuta da equipe de Natação do ECP e da seleção brasileira, e a mãe, ex-ginasta e atualmente técnica na Escolinha de Ginástica Artística do Clube. Devido a uma rotina intensa de trabalho, o pinheirense tem aproveitado para ver o lado bom dessa nova realidade. “Se a programação permanecesse normal, em abril eu estaria no campeonato Maria Lenk, que seria seletiva olímpica, e perderia o primeiro ‘mesversário’ da minha filha.”

A rotina do fisioterapeuta começa cedo, quando tenta adiantar ao máximo suas atividades para estar mais presente no dia da família. Ele confessa que, apesar de procurar programar os trabalhos no período em que a pequena está dormindo, já houve situações em que Laís acabou participando de treinos on-line com os atletas, estando no colo do pai, mas que isso acaba sendo positivo e trazendo alegria. “A cada dia que levanto, tento me desenvolver, produzir, criar e agir da melhor forma, porque exemplo é tudo. Hoje eu tenho uma filha, que talvez, e assim espero, no futuro tenha orgulho do pai.”

O dia a dia do advogado Caio Cossermelli também está diferente. Com o trabalho sendo realizado em casa, entre ligações ou reuniões de trabalho, novidades podem surgir na agenda do pai do Caio (5) e da Isadora (2). “Estamos suscetíveis a interferências até então improváveis, como um choro ou uma gritaria. Mas tirando tudo isso, a vantagem é poder conviver intensamente com a nossa família.”
O associado conta que, em relação à rotina das crianças, que também estão tendo atividades virtuais, procura sempre se ajustar entre uma reunião de trabalho e outra para auxiliar os pequenos nesse momento. O desafio, no entanto, é mantê-los em frente à tela para a realização dessas atividades.

Apesar de todos os desafios, Caio se considera um privilegiado por realizar atividades simples – como fazer grande partes das refeições juntos, colocar os filhos para dormir todos os dias, brincar, ler uma história, ver um filme ou desenho – que antes eram feitas com menos frequência. “Ser pai para mim é o maior privilégio do mundo, o auge da minha vida. Nada que eu fiz ou conquistei até hoje é mais importante, gratificante ou significativo do que ser pai, especialmente do Caio e da Isa.”

O administrador de empresas Luiggi Carlo Licatalosi, pai da Lorena (4), sentiu grandes modificações na rotina dele e da filha. A começar pelo início do dia, quando a pequena acordava por volta das sete horas e partia para a escola. Retornava para casa, mas só voltava a ver o pai no final da tarde, que procurava, ao chegar, brincar com ela ou fazer a lição de casa. Agora Lorena ganhou um tempinho a mais, conseguindo acordar mais tarde e tomar o café tranquila. “Hoje eu estou estudando com ela, coisa que não fazia antes da pandemia, e participando da rotina dela desde que acordo até a hora de ir dormir. Tem também as atividades do cad.”

Luiggi explica que procura começar a trabalhar bem cedo, antes que a filha acorde, para depois dar uma pausa e tomar o café com ela e realizar as outras tarefas. Ele e a esposa costumam se dividir no auxilio com as lições, com o pai ficando mais com as de inglês e a mãe com as de português e conhecimentos gerais. O administrador de empresas ainda comenta que se surpreende ao ver como os pequenos hoje estão mais desenvolvidos. “Fico lembrando que fui escrever meu nome com seis ou sete anos. E hoje, aos quatro, eles já estão sabendo escrever o nome e aprendendo sobre rotação e translação da Terra, sobre os três estados da água, entre outras coisas.”
O pai de Lorena afirma que, se fosse para ressaltar algo durante essa pandemia, ressaltaria o valor da família e das pessoas que nos querem bem. “Acho que todo pai e toda mãe têm que passar algo a mais aos filhos, para que tenham consciência do meio ambiente, do amor ao próximo, da jornada de trabalho, da política, entre outras coisas. O mundo precisa rever alguns conceitos para que continue sustentável em todos os aspectos e continue em evolução.”

PAI ATLETA
Francisco Barreto Jr. é atleta da Ginástica Artística no Pinheiros e um dos integrantes da seleção brasileira. E foi justamente às vésperas de uma de suas competições mais importantes, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, que descobriu que seria pai. A notícia trouxe boas energias e deu ainda mais forças ao pinheirense, que precisava disso naquele momento. E desde a chegada do também Francisco (o Francisquinho), que hoje está com três anos, o ginasta tem conciliado sua rotina de atleta e pai. “O começo foi bem complicado, minha esposa também trabalhava e muitas vezes eu o levei para o ginásio comigo, para continuar o treino.”
Agora, durante a quarentena, mesmo não podendo ir ao Clube e realizar toda sua programação, Chico tem mantido alguns treinos em casa, inclusive algumas atividades on-line em equipe, nas quais muitas vezes acaba contando também com a companhia do pequeno. Além disso, sua esposa, que é professora de balé, tem dado aulas de casa, e o próprio Francisquinho também tem atividades da escolinha duas vezes por semana.
“A gente se organiza para cada um fazer o seu trabalho, para eu poder treinar e a Carol, minha esposa, poder dar aula, e claro, também continuar dando atenção para ele. Ficar dentro de apartamento é muito complicado com criança. Ele quer pular, fazer tudo, e nós não gostamos de deixá-lo muito tempo vendo desenho, então colocamos algumas atividades para ele fazer durante o dia, brincamos o máximo que dá, tem também as atividades da escolinha, enfim, procuramos dar o máximo de atenção para ele.”
Foi pensando na questão do espaço que o ginasta optou por passar parte da quarentena com a família no interior de São Paulo. E afirma que, além de propor ao filho a possibilidade de ter mais liberdade, também foi bom poder ficar próximo da família, algo que não consegue fazer com muita frequência, já que saiu de casa aos 13 anos devido à vida de atleta.

“O que eu aprendi durante essa pandemia foi que ficar com a família não tem preço. Nada no mundo paga ou substitui o tempo que a gente tem com eles. Venho aprendendo com o Francisquinho todos os dias. Aprendendo a ser um pai melhor, a ser mais atencioso, mais paciente e a ter mais resiliência, nesse momento que a gente vive fora do ginásio, e isso está fazendo muito diferença. Acho que é algo que eu vou levar para frente, pós-pandemia, se Deus quiser”, conclui Francisco Barreto.
Érico da Silva Guerra é engenheiro civil e pai de trigêmeos: Mateus, Daniel e Fernanda, de 27 anos. Em seu caso, não existe a preocupação como a de pais que têm tido que auxiliar os filhos com aulas on-line, já que os três são formados. Mateus é jornalista, Daniel é engenheiro e Fernanda, administradora. A principal mudança é o fato de todos estarem trabalhando em casa.
Mateus atualmente trabalha como aprendiz no Departamento Médico do Clube e, por estar afastado de suas atividades devido à pandemia, tem se esforçado bastante fazendo os cursos on-line do CIEE. Além disso, Érico comenta que o filho tem feito leituras e, como não está podendo fazer suas sessões de fisioterapia, ele e sua esposa procuram fazer algumas das atividades com o filho.
“Especialmente com o Mateus, pude fazer algumas caminhadas, que são ótimas também para conversarmos, o que tem estreitado muito nosso relacionamento.” Érico ainda completa que, com a quarentena, aumentou bastante o convívio com os filhos, dando como exemplo o fato de conseguirem fazer as refeições juntos, o que antes raramente acontecia.
O patriarca da família reforça que a pandemia tem servido para valorizarmos as coisas simples, que muitas vezes não percebemos na correria do dia a dia. E que nesse período, além de se adaptar ao trabalho remoto, aprendeu a dar mais valor ao tempo, à saúde e ao convívio com a família. “Ser pai, para mim, representa uma responsabilidade muito grande, mas também muito gostosa, porque acabamos sendo um pouco referência para nossos filhos. Ser pai foi como um divisor de águas na minha vida, e não consigo imaginá-la sem eles.”
Francisco Barreto Jr.

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fotos: divulgação