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Como aprender com a crise? Ricardo Guimarães responde

A série Não Desperdice a Crise, transmitida pela internet e criada pelo consultor de empresas Ricardo Guimarães, vem promovendo debates sobre as lições que uma pandemia como a do novo coronavírus pode deixar para a sociedade e o mercado.
Evolução, modelo mental, inteligência artificial e inovação são alguns dos temas tratados no canal do YouTube pelo ex-publicitário e fundador da empresa Thymus Branding. Em uma conversa com a Revista EC Pinheiros, Guimarães falou sobre como pensar o futuro em meio a uma crise, as mudanças que o coronavírus já trouxe para as nossas vidas, o que esperar do amanhã e a importância de um espaço como o Clube.

Você é considerado um profissional com pensamento que aponta para o futuro. Como planejar o amanhã nos dias atuais?
Para pensar o futuro é preciso se afastar do presente. É como pegar um helicóptero para ter visão ampliada e entender o que veio antes e como veio, para poder imaginar para onde vai e como vai. Quanto mais alto for, mais você vê, mais entende o processo de evolução da sociedade, da vida, das empresas, das pessoas. Se você quer ver o futuro de dentro da crise, não vai ver nada. Tem que fazer o que chamamos
de “upframing”. Subir o nível de observação da realidade para entender o significado do momento no contexto histórico e decidir o que fazer.

Como publicitário, você viveu muitas inovações e mudanças. Esses conhecimentos de alguma forma te ajudaram a viver esse novo momento?
Publicitário é criativo, mas não é inovador, pelo contrário. Publicitário sempre fala o que o público quer ouvir. De um jeito criativo, mas nada
novo. Como criativo em publicidade aprendi a ser simples, sintético, didático, e estudar formas diferentes de dizer a mesma coisa. Nada sobre o futuro e inovação. Isso aprendi quando comecei a estudar a empresa, estratégia e identidade cultural.

O que o você espera do futuro?
Espero que as pessoas não esqueçam as lições aprendidas com a crise do novo coronavírus. Estamos pagando um preço muito alto por essas lições. Espero que coloquem a vida e a saúde no centro das decisões. Tanto para cuidar da vida como para usufruir dela. Com ajuda da tecnologia e da ciência podemos reinventar nosso estilo de vida, corrigindo questões graves relacionadas à saúde pública, à desigualdade social, ao meio ambiente. A crise está ensinando que é tudo interdependente.

A saúde é o principal tema discutido nesse tempo de pandemia. Você percebe uma nova dimensão da saúde?
Sem dúvida. Todos os negócios relacionados à saúde serão redimensionados a partir da ressignificação da saúde para a sociedade. Saúde não será apenas não ficar doente, mas comer bem, respirar ar limpo, ter acesso a água limpa encanada, esgoto, transporte coletivo, trabalho, esporte, tudo estará relacionado a ter saúde e usufruir dela. Saúde física, mental, emocional e ambiental.

Você acha que essa crise faz parte de um processo de evolução da humanidade?
Sim. Mas entendendo que evolução pode ser para pior ou para melhor. Essa pandemia pode unir mais a humanidade, pode valorizar mais a ciência ou pode fragmentá-las mais ainda, provocando guerras nacionalistas e disputas políticas. Nós vamos definir o caminho a seguir.

Como se diz, pode evoluir para óbito ou para cura. O coronavírus colocou o mundo de cabeça para baixo?
Pelo contrário: o vírus está questionando onde estávamos colocando nossa cabeça para não vermos o vírus que já tinha sido anunciado há quatro anos. A arrogância de pensarmos que temos controle de tudo leva à imprudência e ao risco. Tem gente que ainda não acredita, apesar das evidências.

Como passar por essa transição de normal para um “novo normal” de forma mais segura?
A melhor dica é não querer voltar para o antigo normal, e com isso demorar para olhar para a frente a partir dos aprendizados.

Essa pandemia trouxe mudanças que já estavam a caminho, só que de uma maneira muito mais rápida. Qual o segredo para conviver com elas agora?
Se você fizer o “upframing”, a visão do helicóptero, você vai ver as mudanças essenciais e não vai se perder nas mudanças periféricas. De perto você fica confuso com a quantidade e a velocidade das mudanças. De longe percebe que elas fazem parte de um conjunto de ocorrências que está indo em uma direção. Aí você se aponta para a direção certa e vai ajustando uma coisa de cada vez ao longo do caminho.

Nós estávamos vivendo uma aceleração muito rápida da vida e fomos obrigados a desacelerar. Qual deve ser o próximo passo?
Não se iluda com a desaceleração. É só uma pausa. O ritmo voltará muito mais intenso, porque a tecnologia estará muito mais inserida em nossas vidas, os processos estão sendo simplificados para agilizar tudo, a inovação está sendo provocada em tudo.

A Thymus produziu uma série chamada Não Desperdice a Crise. Como não desperdiçar a crise no meio dela?
Não tem fórmula. Tem gente que está de olho fechado esperando a aprendendo um monte. Tem gente que está lutando para sobreviver porque não tem nem o que comer. Na minha perspectiva tem muito para aprender, e por isso fizemos a série e outros vídeos que falam do contexto do mundo.

Qual o risco de não se aprender nada com essa pandemia?
Total. Tem gente que veio ao mundo a passeio e acha que não tem nada para aprender. Talvez seja a maioria. É uma pena.

Como se preparar para um mundo que ainda não conhecemos?
Ficar muito atento, ser humilde, ser curioso, ter boas perguntas. Não se iludir achando que sabe tudo. O futuro não será igual ao passado.

O ECP tem um dos lugares mais verdes de São Paulo. Como aproveitar isso para encarar a nova rotina?
Primeiro cuidar bem, sabendo que o serviço que o verde do Clube presta não está só dentro dele, para os associados. Também é um conjunto de serviços ambientais que presta à cidade.

Após a pandemia, a vida deve ser mais remota ou mais presencial?
Os dois. Estamos aprendendo que muito pode ser feito com qualidade e até melhor se for remoto. E vamos aproveitar mais o presencial no que ele tem de bom.

Vimos diversos pais e filhos finalmente juntos em casa, brincando e estudando. Como levar isso para vida? E qual o impacto de uma ruptura disso agora?
É isso que eu quis dizer com colocar a vida no centro das decisões. Depois dessa experiência, a vida não será mais a mesma para muita gente.

Você acha que o mundo ficará melhor, pior ou igual pós-corona?
Tudo pode acontecer. De minha parte estou fazendo tudo o que posso para ser melhor, inclusive esta entrevista

Confira a série Não Desperdice a Crise