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Entrevista com André Brazolin

Durante a pandemia do coronavírus, a filantropia vem se intensificando, com a criação de diversas ações sociais para auxiliar instituições, comunidades e famílias. O associado André Brazolin é um exemplo nessa missão, atuando há 10 anos no projeto Anjos do Esporte, iniciativa que utiliza a prática esportiva como meio de interação social. Em entrevista à revista, o ex-atleta conta detalhes do projeto, destaca a importância de realizar esse trabalho e convida todos a fazerem parte dessa corrente do bem.

Como surgiu o Anjos do Esporte, projeto que atende crianças e adolescentes, inclusive com necessidades especiais?
O projeto surgiu através do Instituto Brazolin, há 10 anos, na cidade de São Lourenço (mg), com atuação dentro dos presídios, abrigos judiciais, Apaes e lugares onde há grandes quantidades de usuários de drogas. Eu e alguns amigos voluntários íamos a esses espaços levando o esporte com carinho e amor para eles. Daí percebi que teríamos que trabalhar na base com crianças e jovens, para eles não chegarem nas drogas e nos presídios.

A experiência mudou sua percepção sobre o assistencialismo?
Sim, mudou muito. No assistencialismo você não participa da evolução do ser humano, diferente do projeto, que tem começo, meio e fim, em que podemos observar todas as mudanças na vida dos assistidos.

O esporte é eficaz como meio de integração social?
O esporte não tem cor, não tem preconceito, não tem classe social, ele é universal. Além de envolver respeito, união, trabalho em equipe e humildade, coisas que levamos para a vida toda.

Como você se sente sendo o criador de um projeto que muda tantas realidades?
Hoje me sinto muito realizado e feliz pelo reconhecimento, credibilidade e respeito, por ter a oportunidade de, por meio do esporte, fazer a diferença, mas não tenho tempo de comemorar muito, porque a gente resgata algumas vidas, mas temos a missão de cuidar de centenas de outras que estão chegando.

Como foi o trabalho nesse período de pandemia e qual a importância da solidariedade hoje?
No período da pandemia estamos enfrentando o jogo mais difícil, contra o vírus, a fome e o desemprego. Além de levar às comunidades muitos alimentos, cestas básicas, marmitex e roupas, precisamos ter o cuidado para que a doença e o cansaço não nos atinjam. É muito intenso. Mas não estamos sozinhos nesse jogo, pois contamos com o apoio de amigos, clubes parceiros e principalmente do ecp , que doou mais de uma tonelada de alimentos para o instituto fazer a distribuição.

O Clube, por meio do DAS, fez doações para o seu projeto. Como foi essa parceria?
O Pinheiros sempre esteve presente na minha vida, desde os oito anos de idade. Tenho gratidão, respeito e orgulho de ser pinheirense. No Clube aprendi a minha profissão, que era ser jogador de Basquete, e agora vejo a grandeza na solidariedade dos associados, dos amigos do Futebol, do Basquete, do Diretor de Esportes Olímpicos e Formação Fabio Ferraro, que nos acompanhou pessoalmente, do presidente Ivan Castaldi Filho, da Presidente do DAS Adriana Florence Spinelli. Com essa parceria ajudamos mais de mil famílias, levando muitas cestas básicas e máscaras para as comunidades de Paraisópolis, Heliópolis, Vale da Benção – Araçariguama, Caxambu (mg), Água Quente – Taubaté, crianças especiais e com câncer, moradores de rua e asilos.

Agora a sociedade está participando mais de ações de filantropia. Como permanecer com isso após a Covid-19?
As pessoas precisam fazer uma reforma íntima, mudando seu interior. Assim sua alma começa a agir naturalmente, e fica mais fácil ver um mundo melhor. Ser solidário não é bom só para quem recebe, mas também para quem doa, faz bem para a alma.

Você concorda que as pessoas ficaram mais preocupadas com os mais carentes nesse período?
Com certeza precisamos uns dos outros, independentemente da classe social e da idade. Sempre existiram a fome e o desemprego, mas nunca passamos por isso que está acontecendo nesse período. As pessoas estão se preocupando mais umas com as outras, e não podemos parar por aqui depois que tudo passar. Está sendo uma tremenda lição que estamos passando e temos que aprender com tudo isso.

A quarentena inspirou ideias para aprimorar ou modificar algo no projeto?
O perfil dos Anjos sempre foi esse, de ter como prioridade o ser humano, independentemente se ele joga bem ou mal e sua condição financeira. Mas aprendemos que a qualquer hora podemos partir e, por isso, temos que fazer o bem sempre, todos os dias.

De que maneira conhecer diversos tipos de realidade de vida moldou sua forma de pensar?
Desde criança sempre frequentei as favelas, mesmo com meus pais, Carlos Brazolin e Elza Maria Pereira, dando todas as condições a mim e meus irmãos. Por isso tenho respeito dentro do Clube ou dentro de uma favela, já que cresci ajudando meus amigos. Tive todas as oportunidades e sempre busquei a igualdade para todos.

Como os associados podem ajudar o Anjos do Esporte?
Neste momento de pandemia precisamos de muitas doações financeiras que são convertidas em alimentos, pois a fome é triste e visível. Para ajudar, estamos comprando os alimentos dentro dos mercadinhos das comunidades, para manter as crianças alimentadas e os empregos das famílias da região. Mesmo após a pandemia, gostaríamos de continuar nessa parceria com o Clube, seja no esporte ou nas ações sociais. Os associados podem ajudar por meio das doações financeiras em conta bancária ou pelo PicPay.

Conta corrente Anjos do Esporte
Caixa Econômica Federal
CNPJ: 12.135.360\0001-80
Agência: 2901 Operação 003
Conta corrente: 2116 – 2

Você é ex-atleta profissional de Basquete e chegou a atuar na Seleção Brasileira. O que a carreira de atleta te ensinou?
Ter equilíbrio, saber ganhar e perder, respeitar os adversários, estar em equipe e principalmente ter gratidão.

Do que está com mais saudades do Clube?
Dos abraços dos amigos, do Basquete e Futebol, da energia dos esportistas e da alegria que tínhamos quando estávamos reunidos no Pinheiros.