Elas nos palcos do Esporte Clube Pinheiros

No mês das mulheres, relembramos grandes nomes que já se apresentaram no Clube

Donas do lar, dos negócios e de tantos outros espaços, após lutas diárias ao longo da história as mulheres se fazem cada vez mais presentes em todos os lugares e cargos. No Pinheiros, além do esporte e de exercerem diversas funções, também estão presentes nas programações social e cultural, entretendo ao associado e esbanjando talento.

Dando continuidade às homenagens do “Mês da Mulher”, relembramos algumas das grandes participações femininas nos palcos do Pinheiros.

Na Dança

Quando falamos em ballet no Brasil, impossível que o nome dela não seja o primeiro a ser lembrado. Ana Maria Botafogo Gonçalves Fonseca teve iniciação musical e na dança aos seis anos, e aos onze já dançava no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sua cidade natal. Mas foi na França, no Ballet de Marselha que começou a dançar profissionalmente.

Ana Botafogo se apresentou pela Europa, América do Norte, América do Sul e América Central, sendo convidada por diversas companhias do mundo. Ganhou diversos prêmios e recebeu homenagens não só no Brasil, mas também no exterior. E, além da carreira como bailaria, também se aventurou nos cenários da dramaturgia, com atuação em algumas novelas.

Nos palcos pinheirenses a artista marcou presença nos festejos de comemoração dos 116 anos do Clube (2015), com o espetáculo “Uma Noite com Ana Botafogo”. Em 2016 repetiu a dose na comemoração dos 117 anos, mas desta vez acompanhada por outro grande nome brasileiro da dança, Carlinhos de Jesus.

No Samba

Um dos eventos mais populares do Clube, a “Feijoada Carnavalesca” busca oferecer atrações de credibilidade, além de uma bela feijoada, para que o associado aproveite o Carnaval em grande estilo. Em seu histórico de sucesso, duas grandes vozes femininas do samba marcaram o evento: Beth Carvalho (2012) e Alcione (2013).

Elizabeth Santos Leal de Carvalho, mais conhecida como Beth Carvalho, era cantora, compositora e instrumentista. Também carioca, começou a fazer sucesso na década de 70 e desde então tornou-se uma das maiores intérpretes do samba, foi inclusive a responsável por revelar alguns nomes como: Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Fundo de Quintal e Arlindo Cruz.

Seu lado musical foi despertado desde cedo. A avó tocava violão e bandolim e a mãe, piano clássico, enquanto a irmã Vânia, também cantava samba. Foi após ganhar um violão de sua mãe, que resolveu seguir na carreira artística. Inicialmente, passou pela bossa nova, mas não demorou para que se envolvesse com o samba, onde se eternizou.

Nem mesmo após sofrer com enfermidade na coluna e passar por cirurgia, Beth deixou de cantar, chegando inclusive a se apresentar deitada. A eterna “Madrinha do Samba” faleceu em 30 de abril de 2019.

Natural do Maranhão, Alcione Dias Nazareth, mais conhecida como “Marrom”, também é cantora, compositora e multi-instrumentista. Sendo uma das mais notórias sambistas do país, a cantora recebeu a alcunha de “Rainha do Samba”. Graças ao pai, desde pequena foi estimulada no meio musical.

Ele era policial e integrava a banda de sua corporação. Foi professor de música, compositor e entusiasta do bumba-meu-boi, folguedo típico da capital maranhense. Ensinou Alcione, ainda menina, a tocar diversos instrumentos de sopro, como trompete e clarinete, a partir de dos nove anos. Com essa idade já tocava e cantava em festas de amigos e familiares, e na Queimação de Palhinha da Festa do Divino Espírito Santo.

Sua primeira apresentação profissional foi aos 12 anos, na Orquestra Jazz Guarani, regida por seu pai. Certa noite, o crooner da orquestra ficou rouco, sendo substituído pela menina. Na ocasião, cantou a canção “Pombinha Branca” e o fado “Ai, Mouraria”. Dona de uma discografia extensa, também estrelou nas telinhas e teve indicações a diversos prêmios, conquistando o Grammy Latino em 2003.

Na MPB

Em 2014 o Pinheiros proporcionou ao seu público um grande encontro de gerações, reunindo no Auditório do CCR mãe e filha: Zizi Possi e Luiza Possi, em grande celebração do melhor da música popular brasileira.

Maria Izildinha, “Zizi” Possi é descendente de italianos e costuma cantar canções em italiano. Com formação musical erudita, estudou piano e canto dos 5 aos 7 anos. Aos 22 gravou o seu primeiro LP (1978) e na década de 80 ganhou seu primeiro prêmio de “Cantora Revelação”. Entre os maiores sucessos da sua carreira está a canção “Asa Morena”, gravada em 1982. Também com discografia extensa, composta por mais de 40 álbuns, sua filha resolveu seguir os passos no meio musical.

Luiza Possi Gadelha, é cantora, compositora e apresentadora. Filha de Zizi e do produtor musical e diretor artístico Líber Gadelha, ela não tinha muito como fugir do mundo artístico. Em 1999, Luiza foi convidada para subir ao palco e cantar uma música com a banda que estava abrindo o show do Skank no Credicard Hall, em São Paulo.

A cantora interpretou a música “O Vento”, do Jota Quest, para um público de 12 mil pessoas, apenas ao som do piano e de sua voz. Gravou seu primeiro disco em 2001 e entre 2002 e 2003 apresentou o programa dominical “Jovens Tardes”. Já em 2006 a filha de Zizi decidiu mudar um pouco os rumos de sua carreira deixando a música pop de lado, para focar na MPB. Sua carreira ainda conta com a participação em programas como: Ídolos, Popstar, The Voice Brasil e Dança dos Famosos.

Também comprovando que: “filha de peixe, peixinho é”, Maria Rita é outro exemplo de que o talento pode passar de mãe para filha. Cantora, produtora musical e empresária, ela traz a responsabilidade de ser a filha da “Pimentinha” Elis Regina. Começando a cantar profissionalmente apenas aos 24 anos, ela confessa que o peso do berço musical influenciou para que adiasse um pouco a sua estreia.

Hoje com quase 20 anos de carreira, não apenas comprovou que é tão boa quanto a mãe, com a voz e o estilo muito parecidos, como está consagrada como um ícone da música popular brasileira e umas das maiores intérpretes da geração. Entre as conquistas da carreira, ganhou oito prêmios Grammy Latino, inclusive o de “Artista Revelação”, sendo a única brasileira na história a vencer essa categoria. Maria Rita é também uma entre as grandes artistas que já se apresentaram nos palcos do Pinheiros, como atração nas comemorações dos 116 anos do Clube.

Nos Negócios

Nem só de música e dança vivem os palcos do Pinheiros. Em 2017 o Clube teve a oportunidade de receber a presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, para uma palestra que abordou o tema: “O empoderamento das mulheres nas organizações”. A palestra teve um público recorde reunindo funcionários e associados.

Nascida no interior paulista, em Franca, Luiza Trajano é considerada uma das mulheres mais poderosas do país atualmente. A empresária comanda uma das principais redes de lojas de varejo do Brasil, o Magazine Luiza, além de outras empresas integradas à sua holding. Quando assumiu os negócios da família, tratava-se apenas uma rede com algumas lojas no interior do Estado de São Paulo.