Carol Solberg: meu maior exemplo foi minha mãe

Não é fácil ser atleta e mãe. Um grande exemplo é Carolina Salgado Collett Solberg, a Carol Solberg. A jogadora de vôlei de praia do Esporte Clube Pinheiros, classificada para Paris 2024, ao lado da inseparável companheira e amiga Bárbara Seixas, queria ser mãe. Nunca passou na cabeça ter que parar de ser atleta para ser mãe. E ela foi, por duas vezes.

Tendo como exemplo a mãe, Isabel Salgado, que teve quatro filhos e continuou a carreira atlética, Carol conta situações inusitadas como mãe-atleta, inclusive em momentos de estar em pleno jogo. Mesmo com situações surreais, consegue administrar, com uma rede apoio de outras pessoas, e viver bem com os dois filhos e o marido.

A filha da ex-jogadora e técnica de vôlei, Isabel Salgado, Carol Solberg cresceu junto com mais três irmãos – Pillar, Pedro e Maria Clara – a escadinha da Isabel, como eram conhecidos. Tinham como segunda casa ginásios para vôlei onde a mãe brilhou. Considera a mãe, falecida em 2022, uma heroína, uma guerreira e com uma versatilidade incrível de conseguir jogar e ainda administrar quatro filhos pequenos. Hoje, mesmo com apenas dois filhos – José (11 anos) e Salvador (7) -, dá ainda mais valor aos cuidados que tinha por parte da mãe.

“Minha mãe foi a mulher mais incrível. Hoje fico imaginando o quanto ela foi genial de conseguir cuidar, treinar, jogar e ter dado tanto carinho para os filhos”, adianta a mamãe Carol, hoje com 36 anos.

“Vou para um campeonato, mas fico ligada direto no José e no Salvador. O tempo todo estou em comunicação com eles. Eles curtiram muito nossa classificação para Paris. Acompanharam a pontuação do ranking. Eles sabem da importância que é o vôlei para a família e isso me dá ainda mais força para continuar”, continua Carol.

Além dos dois filhos menores, Carol não se restringe a eles quando o assunto é cuidado com os pequenos. Participa ativamente do Projeto Social Levante, que cuida de crianças carentes no Rio de Janeiro. “O Levante é um projeto cuja ideia é levar acolhimento e qualidade de vida para quem precisa, ensinando valores através do esporte. É algo muito gratificante em fazer parte com outras pessoas”.

Carol lembra que teve duas gravidez com situações bem diferentes. Na gestão do primeiro filho (José), não houve corte de patrocínio, mas na segunda, apesar de melhorias, com regras diferentes, manutenção de pontos nos circuitos, perdeu os apoiadores. “(Na primeira) o pessoal que me patrocinava manteve e deu bem para seguir, mas no segundo (Salvador), foi terrível e não tive esse apoio. Tive que refazer todo meu planejamento”, lembra.

A determinada Carol fala com clareza que cada mulher tem situações diferentes para ser mãe, tanto executiva como atleta. “Nunca pensei em parar para ser mãe. Era um desejo e tinha o exemplo da minha mãe. Ser mãe e seguir a carreira profissional é sempre difícil para todos os segmentos, imagine para uma atleta que tem a questão do corpo, físico. É sempre um desafio e para a mulher é muito mais pesado, mas é uma sensação maior do mundo”.

“Quando decidi ser mãe, lembrava da minha mãe. Ela teve quatro e deu conta. Não é um bicho de sete cabeças para ser mãe e continuar jogando. Tive minha rede de apoio, com uma estrutura legal e foi tudo correndo bem até hoje”, conta.

Carol acrescenta ainda que tem histórias hilárias com os filhos acompanhando. “Certa vez, ficaram na arquibancada e eu jogando. Olha para o lugar que havia deixado os dois e não os encontrei. Imagina o pânico. Outra é eles ficarem dando incentivo, entrando na quadra. Às vezes, estou jogando, se machucam com correrias da idade. Agora, em Paris, vou leva-los para as Olimpíadas. Meu marido vai também para ficar com eles”. Carol é casada com o fotógrafo Fernando Young, com quem teve os filhos José e Salvador.

Em breve, os três, mãe e filhos novamente na Torre Eifel, onde será disputado o vôlei de praia. Arquivo pessoal