fbpx

A cozinha é viva com Silvana Porchat

A associada transformou o “segredo” de família em uma nova profissão. Inspirada na receita da sua avó Filomena, a jornalista trocou os bastidores do telejornalismo pela cozinha e montou, em 2018, sua rotisseria. Em entrevista a nova empresária conta como foi mudar de profissão, como a história do seu irmão, o ator Fabio Porchat, serviu de entusiasmo e o que é preciso para fazer a tão sonhada mudança de profissão.

Começo do ano é aquele momento em que as pessoas pensam em fazer mudanças na vida. Qual conselho você daria?
Acho que você tem que ir muito atrás do seu sonho, não tem que pensar no retorno financeiro. Ele vai vir. Tem que ter a vocação e acreditar. As pessoas estão com muito medo de arriscar hoje em dia, porque está difícil mesmo. A gente mora em São Paulo e é uma cidade cara e competitiva. Tanto que é difícil abrir um negócio. Tenho a história do meu irmão (Fabio Porchat) que fazia Administração e falou para o meu pai que queria largar para ser ator. Meu pai na hora falou: ‘larga e vai’. E ele se deu superbem na nova carreira. Às vezes não é o tradicional que vai te trazer o retorno financeiro e sim a satisfação pessoal.

O que te fez trocar o Jornalismo pela cozinha?
Trabalhava na produção do Jornal da Band e era superlegal, mas muito puxado. Meu marido também era jornalista e estava no O Estado de S. Paulo. Nós tínhamos folga a cada 15 dias e apenas quatro feriados por ano. Tivemos um filho e nos vimos sem ter com quem deixá-lo. Como sempre adorei cozinhar e a minha família tem uma história com comida surgiu essa ideia.

Qual é a relação da sua família com a gastronomia?
Minha avó teve oito filhos e 24 netos. Então ela vivia em torno da cozinha e eu saía da escola e ficava vendo ela cozinhar. Não era uma relação de ter restaurantes, era de gostar de cozinhar.

Como foi pegar uma receita da sua avó e transformar em um negócio?
Foi muito natural. Nunca parei para pensar ‘vou montar um negócio’. A ideia surgiu porque ragu era uma das coisas que eu fazia para os amigos e para a família e eles queriam encomendar. As pessoas não têm tempo de cozinhar e o ragu é uma receita que demora muito tempo para ser feita e dá muito trabalho. Então, encontrar pronto, em um pote, esquentar e misturar com massa, é muito prático.

O que mudou na sua vida desde então?
Trabalho muito mais (risos). Não sou só cozinheira, virei empresária, desenvolvo as receitas, cuido de funcionários, abro e fecho a loja. Aqui é como se fosse um filho. Quando você tem filho é uma loucura, você não consegue fazer nada. Quando abri meu empório não conseguia fazer nada. Mas aí depois as coisas vão caminhando. Agora nem consigo ficar sem, é a coisa que eu mais gosto.

É um processo prazeroso?
A parte da cozinha para mim é muito prazerosa, de alimentar as pessoas. Quando eu recebo de volta de um cliente uma foto, um elogio, é o que mais me deixa feliz. Todos falam que chegou a melhor parte que é a hora de comer. Para mim a melhor parte é a hora de alimentar as pessoas. A parte financeira de pôr o preço é muito importante, tão importante quanto, mas para mim é o menos prazeroso. Para mim a cozinha e o público com certeza é o que mais me abraça, o que eu gosto mesmo de fazer.

Qual é a sensação de saber que você conseguiu trabalhar com o que mais gostava?
Fico feliz de estar onde estou, de ter aberto meu espaço, que é um passo grande, sozinha, de ter dado certo. Mas não falo ‘ah, tá bom’. Não está bom. Todos os dias penso em como me reinventar, mudar e melhorar. Ainda quero fazer mais parcerias com produtores locais, continuo estudando. A cozinha é viva.

Como você se preparou?
Fui morar em Paris e fiz o Le Cordon Bleu já pensando na questão das carnes, lá eles mexem muito com carne de caça. Queria me especializar. Apesar dessa bagagem internacional, o que eu mais uso é o que aprendi com a minha família. Depois voltei, montei um site e desenvolvi, na época, quatro receitas. Vendíamos online. Eu fazia tudo na minha casa. Os pedidos foram aumentando e busquei um espaço para fazer a cozinha maior, uma cozinha industrial, porque para fazer ragu precisa de panelas grandonas.

Você tem uma relação próxima com seus clientes?
Tenho. Converso com as pessoas para elas entenderem todo o processo e elas adoram. Pinheiros é um bairro que as pessoas são muito bem-humoradas, gentis, tem gente jovem, idosa. E eles gostam de conversar, saber, querem dicas de como fazer. Eles gostam, são interessados. Vejo que não é aquela coisa fria de supermercado.

Você acha que é uma tendência trabalhar com produtores mais próximos?
Acho que o consumidor está começando a perceber esse movimento. A importância de você consumir esses produtos mais frescos, que duram menos. Eu abri aqui faz um ano. No começo, eles olhavam a massa e falavam ‘só dura dois meses?’. Porque a do mercado dura uns quatro anos. É uma coisa surreal. E eu falava ‘gente, mas compra uma pasta. Semana que vem você passa aqui e compra outro, não precisa estocar’. Se as pessoas consumirem mais produtos artesanais e caseiros, como elas não têm tempo de fazer, e procurarem ao redor delas pequenos empórios que hoje em dia são tendência, eu acho que a qualidade de vida delas vai melhorar. Talvez elas gastem um pouco mais com a alimentação, mas menos na farmácia.

Qual é a sua relação com o Clube?
Eu preciso ir ao Clube todos os dias. No Clube e no restaurante eu tenho um dia de descanso. Eu aprendi que o descanso faz parte do treino. Então treino todos os dias, menos sábado, porque sábado eu abro o restaurante. Do restaurante descanso no domingo, porque não abro. Então, acordo, vou a pé para o Clube e cada dia faço uma coisa. E depois venho para o restaurante.

Quando o ECP entrou na sua vida?
Virei associada faz 20 anos. Acho o espaço uma bênção, é um oásis, né? O esporte é muito legal e no Clube a gente encontra bastante incentivo. Eu comecei a correr, a treinadora me ajudou e, em um mês, eu estava fazendo meia maratona. Comecei a jogar Tênis e a professora em um mês me colocou em campeonatos. Comecei a nadar e a treinadora me colocou dois meses depois fazendo a Travessia dos Fortes.

Foto: Estúdio Grade