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A sua relação com a arte começou cedo. O que você absorveu nos bastidores do antigo Teatro Imprensa, onde sua mãe trabalhava?

O fato de a minha mãe ter administrado o Teatro Imprensa e sempre nos ter levado até mesmo a outros teatros, facilitou demais a minha aproximação com a arte e a interpretação. Também me deixou sempre muito curioso com a produção, me fez querer entender como funciona o teatro, foi uma grande escola.

Você se lembra do momento em que decidiu ser artista?

Eu fui aprendendo muito com a vida, observando, experimentando. Fiz alguns cursos na área de Teatro. Muitas coisas aprendi por conta da minha família ser do universo artístico. Iniciei duas faculdades, de Teatro e de Rádio e TV, mas não consegui concluir nenhuma delas. Acho que a experiência de vida é bagagem para a própria vida e para a profissão.

Ator, cantor e dançarino. Como cada uma dessas atividades nasceu dentro de você? Existe a favorita?

Sou uma pessoa que gosto de desafios. Com cada um que me é dado, eu tento me envolver ao máximo para fazer o meu melhor. Não existe uma preferência ou encantamento dentro dessas opções, mas quando agimos com dedicação, amor e verdade em qualquer trabalho, o resultado positivo e o carinho recebido são lembranças que se leva para sempre de cada arte vivida. Quero poder viver de arte.

Você fez muito sucesso com o musical Tim Maia – Vale Tudo. Em algum momento ficou com medo de ficar preso a esse trabalho ou personagem?

Não. Nunca. Sem dúvida nenhuma, o Tim Maia foi o divisor de águas da minha pequena carreira. Eu sou eternamente grato por tudo o que ele me proporcionou.

O que você carrega desse musical até hoje?

O Tim Maia me deixou o que ele deixou para todo mundo, que é essa música, essa alegria de viver em cada canção. Ele foi e é uma das figuras mais importantes da minha vida e acredito que de muita gente, além, claro, do que ele proporcionou para a música brasileira.

Verdade que você se descobriu cantor nessa peça?

Sim. Esse musical me trouxe o presente de me encontrar dentro da música, de acreditar que é possível fazer e viver de música. Só tenho a agradecer.

Você ajudou a popularizar os musicais no Brasil. Já é possível ter uma ideia da sua importância para esse gênero?

Eu sempre sonhei em fazer teatro musical. Desde criança, quando eu assistia aos desenhos da Disney, era enlouquecido por esse universo mágico do Teatro com a Música. E, graças a Deus, esse sonho foi realizado. Fico feliz em poder fazer parte da história dos musicais no Brasil.

Sobre a experiência na televisão, de Demir da novela Salve Jorge ao Fran do seriado Chapa Quente, é possível fazer um balanço?

O convite feito pela Gloria Perez, para fazer o teste para a novela, foi muito especial para mim. O Fran também foi uma grande surpresa. Nunca esperava poder estar na TV Globo, dessa forma, com tanto carinho e respeito que a casa tem comigo. Não tinha essa pretensão. Mas estou feliz demais com tudo isso.

Como você se define como artista?

Não sou uma pessoa que gosta de rótulos. Gosto de desafios. Quero poder viver de arte.

Como surgiu a ideia do Baile do Abrava e como você seleciona o repertório de cada show?

O Baile do Abrava veio a partir do momento em que comecei a fazer shows em eventos corporativos, casamentos, festas de aniversários, pois senti falta de estar próximo de uma plateia. Foi a criação de uma festa onde pudesse estar perto do público que amo e poder testar diferentes estilos musicais, pelo fato de não ter nascido na música. As músicas eu escolho de acordo com um tema, um convidado, não tem muita regra. Gosto de variar o repertório e vou sentindo a cada mês o que o público gosta.

 O que os associados do Pinheiros podem esperar dessa festa?

Quero que o público se divirta, dance e aproveite. Esse é o maior objetivo do Baile. É uma honra fazer parte do Jantar Dançante, um projeto que já teve tantos nomes respeitáveis da música brasileira. E um prazer enorme participar do aniversário de um Clube tão importante.

O texto de apresentação do seu site termina com a seguinte frase: “Nossa, agora, escrevendo esse texto para vocês é que me dei conta que não cheguei nem aos 30 anos e já fiz tanta coisa”. Quais os próximos lances?

Acho que todas essas coisas que faço já me dão bastante trabalho (risos). Brincadeira. Graças a Deus, não tenho do que reclamar. Tenho ainda muitos sonhos dentro de cada área. Como cantor, quero gravar um disco, por exemplo, e, como ator, gostaria de atuar na Broadway (risos). Há muitas coisas que ainda eu quero fazer...

Você sente vontade de se tornar apresentador de televisão como o seu avô Silvio Santos?

Nunca pensei em ser apresentador como meu avô, no início da minha carreira, mesmo porque vim do teatro. Se hoje você me pergunta se faria isso, posso dizer que tenho essa vontade,mas nunca trilhei minha carreira com esse propósito, pois sempre estou pensando nos trabalhos que já realizo.

Como você acha que seu avô receberia essa notícia?

Meu avô é inspiração para qualquer artista e comunicador, independente da área em que trabalhe. Obviamente, por eu ter um pouco mais de intimidade, me aproxima e facilita eu querer saber mais sobre a forma desse trabalho, mas acho que ele ficaria feliz, sim, com essa escolha, assim como ele já é agora.