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"EU GOSTO DE VER O PESSOAL CANTAR, SORRIR E BATER PALMAS. PARA MIM, A ARTE NÃO TEM MUITO SENTIDO QUANDO ELA PÕE VOCÊ PRA BAIXO."

A melhor forma de apresentar o cantor Sidney Magal é relembrar seus grandes sucessos. Sandra Rosa Madalena, Meu sangue ferve por você e Me chama que eu vou são canções que ultrapassam gerações e animam as festas ainda hoje. Com mais de 40 anos deestrada, Sidney Magal tem uma das agendas de shows mais requisitadas do Brasil.
Em uma entrevista descontraída, a principal atração do Jantar de Aniversário do Clube falou sobre a carreira, a revolução que causou no cenário musicale, claro, o que os associados podem esperar do show. Confira.

Como você construiu sua carreira, que inclui cantar, dançar e atuar?

Costumo dizer que nunca planejo nada na minha vida. Quem faz projeto é arquiteto, não cantor. Eu sempre fiz tudo de forma espontânea. No Rio de Janeiro, onde comecei minha carreira, cantando em boates e churrascarias, sempre cantei mais ou menos à minha maneira. Dava minha interpretação para todo tipo de música: canções italianas, rock,  samba, cantava de tudo, pois não tinha repertório próprio.

Você tem uma passagem importante pela Europa?

 Quando fui convidado para ir à Europa, onde fiquei quase dois anos, tive liberdade, cantando para uma plateia que eu desconhecia totalmente, de fazer tudo o que me vinha à cabeça. Foi quando comecei a me vestir de forma muito extravagante. Eu com 1m90, cabelo comprido e encaracolado, me achei no direito de experimentar: coloquei sapatos com saltos de oito centímetros, calças de veludo e roupas coloridas. Fui fazendo isso e percebi que agradava o público. Eu tinha 20 e poucos anos e foi ali que eu descobri o Sidney Magal.

Como foi recebido, com esse estilo, no Brasil?

Em 1976, quando estourou a primeira música, Se Te Agarro Com Outro Te Mato, houve realmente um reboliço muito grande. Eu não era conhecido como Sidney Magal, ainda não tinha uma projeção nacional. Quando comecei nas boates e churrascarias, aí começaram a me apresentar como atração internacional, que cantava todos os gêneros musicais de uma forma diferente. Viam como um achado aquela pessoa toda colorida, cheia de trejeitos, cantando People, Freedom, Granada, tudo quanto é música de sucesso da época e, ainda, cantando com a minha performance.

A sua performance teve quem como referência?

Acredito que, no subconsciente, um grande ídolo que eu tive foi o Tom Jones, cantor inglês, que continua fantástico e se apresentando. Vi umas apresentações dele, agora com 70 poucos anos, e o cara é sensacional.

Por que você ficou conhecido também como cigano?

Meu avô, por parte de pai, é português. Então, não tenho nenhuma influência de ciganos. O Nilton Travesso, que era diretor e fazia os clipes do Fantástico da Rede Globo, me convidou para fazer aquele clipe que reproduzem no Vídeo Show: Sandra Rosa Madalena. Aí começou a história de que eu era cigano.

Você é um artista versátil: canta, dança e atua. O que inspirou você?

Sou muito agitado. Quando eu tinha 13 anos, na casa da minha tia, que tocava piano nas festas da família, eu gostava de cantar músicas americanas, de fingir que sapateava, dançava e cantava os sucessos de musicais. Nunca aprendi com ninguém nem copiei ninguém. Fui sentindo a necessidade de interpretar as músicas dessa maneira e acabou virando uma marca minha. Até na lambada, ofereceram para eu fazer aulas de lambada e era uma dificuldade, porque eu tinha a minha maneira de dançar lambada.

Tem uma entrevista sua em que você fala que Sandra Rosa Madalena causa uma reação muito estranha no público.

Faço, em média, oito shows por mês. Entre essas apresentações, há formatura de faculdade, com um público que, na verdade, conhece o Magal da lambada para cá. Todos cantam como se fosse uma música que toca todos os dias na rádio.

E para você, como é cantar essa música?

Não sei, acho que tem alguma coisa espiritual envolvida nisso e as pessoas parecem que vão sendo possuídas. Por exemplo, em festas da alta sociedade, as mulheres colocam uma rosa música? no cabelo, levantam a saia e começam a sapatear. Não sei se o arranjo é muito forte ou se realmente existe, no fundo, alguma entidade cigana que protege o meu trabalho. A grande verdade é que eu fico surpreso, abismado.

Você se considera um artista de palco?

De palco, sim. Mais do que de disco, mais do que de tudo. Acho que o palco é o meu grande barato e que a energia que eu passo é muito boa. Tanto que, ao longo da minha carreira, eu tenho quatro discos de ouro, não sou um vendedor de discos. Então, me considero um artista que as pessoas gostam muito mais de ver do que de ouvir em casa, a não ser os grandes sucessos.

Quem vai ao seu show, espera muita alegria. Como é ter essa responsabilidade?

Essa é a minha proposta. Eu me lembro das entrevistas dos anos 70, quando vinham me perguntar se meu trabalho não era muito sério, que era popular – aquela coisa das críticas e preconceitos da época. Eu me recordo de uma matéria que saiu na Folha de S. Paulo, na primeira página, em que dizia que eu sinto muito prazer em ser o sábado e o domingo do brasileiro. Nos dias da semana, a música é de fundo musical, para a vida árdua que ele leva, mas nos sábados e nos domingos é que ele se solta, bebe, curte e ri. Eu gosto de ver o pessoal cantar, sorrir e bater palmas. Para mim, a arte não tem muito sentido quando ela põe você pra baixo.

Sandra Rosa Madalena e Rainha da Sucata pegam duas gerações diferentes.  Como essas duas músicas alimentam a sua carreira?

Ivete Sangalo, que estava em cima do trio elétrico. E, num certo momento, sem termos combinado nada, a Ivete anunciou que estava com um amigo que mora na Bahia e que ela achava incrível. E me chamou para o palco. Quando eu subi, a galera toda aplaudiu pra caramba. E eu comecei a cantar, mas não cantei. Levantei o microfone e foi o público que cantou Sandra Rosa Madalena, de ponta a ponta. E a Ivete disse que se ela tiver, até o fim pelo aluno de escola pública e as pessoas tinham preconceito de confundir o gosto delas com o gosto dessas pessoas. Graças a Deus, no geral, isso acabou, sendo um cantor cult ou não. Hoje em dia, a música popular o que é? O sertanejo que é brega, o axé que é brega, o pagode que é brega, o funk que é brega. Então, o Brasil assumiu que o popular é a realidade do brasileiro. Para mim, só há a satisfação de as pessoas terem muito respeito pelo meu trabalho, independente de classe social.

Em quase 40 anos de carreira, você se arrepende de algo?

Sinceramente, não. Talvez eu devesse ter dado mais atenção a uma carreira no exterior. O mercado no Brasil era tão bom para mim, que não fiz nem questão de ir para fora. Pensava: se rolar, rolou. Por ser um cantor com características latinas, eu não seria novidade na América Latina, mas eu sou uma novidade no Brasil até hoje, porque ninguém faz o que eu faço.

O que os pinheirenses podem esperar do seu show, no principal evento das comemorações dos 115 anos de Pinheiros?

Primeiro, alegria, muita alegria. No repertório, estarão os grandes sucessos da década de 1970, que não deixo de fora. Vão poder ver, também, intepretações de músicas novas, que canto no novo DVD. E sempre canto alguma música do Lulu Santos ou do Cazuza, artistas que eu gosto, mas sempre com a preocupação de o show começar num pique e terminar em outro pique ainda maior, para que as pessoas tenham momentos de recordações boas, de alegrias. Acho que a maior arte é a música, pois ela leva você para a fossa, para a depressão, para a alegria, para o riso, para a raiva. E que eu faça jus ao Clube na sua maior festa.

Você pratica algum esporte?

Já cheguei a começar, mas confesso que sou preguiçoso. Quando morava no Rio de Janeiro, jogava vôlei na praia, esporte de que mais gosto. Quando adolescente, fiz um pouco de remo, basquete, um pouco de cada coisa, mas não sou muito disciplinado e não gosto de receber ordens.

O que é uma boa plateia para você?

Uma boa plateia é aquela que se entrega, mas que você precisa também conquistar. Já tive vários shows com público muito tímido. Aí, você canta a primeira música, a segunda música e as pessoas quase não reagem, mas quando chega à quinta, sexta, sétima, décima música, o show vira uma loucura e fica todo mundo querendo subir ao palco, gritando e aplaudindo. Conquistar o público é importante, mas gosto daquela plateia que me poupa esse trabalho.