“ERA UM SONHO ANTIGO TREINAR NO PINHEIROS E FICO MUITO FELIZ EM SABER QUE ESSE SONHO FOI CONCRETIZADO”

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Após transformar-se em ídolo nacional com a conquista do ouro e do recorde olímpico no salto com vara na Rio-2016, o campeão do Atletismo Thiago Braz agora é atleta do Pinheiros. Em entrevista à Revista, fala sobre seu começo na modalidade e como será seu futuro no Clube.

Como você escolheu o Atletismo como modalidade e especificamente o Salto com Vara?

O meu tio era atleta de Decatlo (prova de Atletismo composta de 10 modalidades) e ele sempre me incentivou para os esportes e um deles era o Atletismo. Eu também jogava Basquete e era estimulado por uma professora, mas meu coração falou mais alto pela pista. Meus avós são também os meus grandes incentivadores.

Você já treinou em vários clubes. Por que agora você decidiu treinar no Pinheiros?

Era um sonho antigo treinar no Pinheiros e fico muito feliz em saber que esse sonho foi concretizado. Conhecia a tradição e a competência do Clube e agora tive a oportunidade de ver de perto toda a estrutura oferecida para os meus treinos e fiquei muito feliz com o que vi.

Como será sua rotina de treinos?

Moro em Formia, na Itália, e treino no Centro de Treinamento da cidade. Quando venho para o Brasil, para compromissos profissionais ou pessoais, treino aqui, pois não posso deixar de treinar e meu treinador, o Vitaly Petrov, é bem rígido em relação a isso, mas minha base é em Formia.

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Como você planeja sua carreira?

Passei a ser agenciado pela NN Consultoria. Eles tomam conta de tudo. Continuo treinando com o Vitaly Petrov em Formia, na Itália, e para as competições tenho um manager que cuida de todo o processo.

Você tem agora a segurança de ter um contrato de quatro anos firmado com o Clube. Isso ajuda na hora de se concentrar e se preparar para a próxima Olimpíada?

Com certeza. Essa segurança é muito importante para eu focar mais ainda nos treinos e conseguir bons resultados.

Como o Clube pode contribuir para o treino para Tóquio-2020?

A estrutura do Pinheiros é espetacular. Meu objetivo para este ano é trabalhar duro e com dedicação para manter meus saltos com estabilidade. Não temos uma marca definida como meta, mas nossa meta sempre foi alcançar o melhor em tudo. Claro que manter a estabilidade nos seis metros é um sonho a ser realizado. E o Clube será essencial para a conquista desse resultado.

O que você espera dos próximos jogos?

Todo atleta quer saltar mais alto e acredito que esse não seja só um desejo meu, mas de todos que competem. Se eu conseguir bater o recorde olímpico já em 2018, seria incrível. Mas, para isso, preciso estar focado, treinar duro e, principalmente, respeitar os meus adversários.

Você conquistou a medalha mais emocionante da Olimpíada Rio-2016 e com o mundo todo acompanhando. O que mudou após essa conquista?

Mudou tudo. Todos os dias, por onde passo, recebo o carinho das pessoas e isso é sensacional.

Para muita gente, você apareceu como uma revelação, após a conquista dessa medalha. Você já esperava por isso?

Para ser sincero, eu nunca imaginei que conseguiria ganhar a medalha de ouro e ainda bater o recorde olímpico. Eu só pensei no é tudo ou nada. Tentei esquecer tudo que já tinha acontecido de negativo comigo em competições anteriores e foquei no que precisava, me concentrei e fui com muita determinação.

Na Olimpíada Rio-2016 você criou uma rivalidade com o francês Renaud Lavillenie?

Ele é um grande atleta e nós temos uma boa relação. A nossa rivalidade é só dentro das competições e quando elas acabam a pressão vai junto. Eu o respeito muito.

 Com a exposição que você teve após a medalha, você sente que está ajudando a divulgar mais o Atletismo no Brasil?

Tenho a consciência que, depois da conquista da medalha de ouro na Rio-2016, posso influenciar uma nova geração de atletas. Acredito que o meu exemplo pode ser uma parcela do desenvolvimento do atletismo no Brasil.

Como será a troca de experiências com os outros medalhistas do Clube, como Cesar Cielo, Arthur Nory e Rafael Silva?

Com certeza, será bem rica essa troca de experiências. Por exemplo, nós, do Salto com Vara, temos muita referência da Ginástica Artística e, sem dúvida, o Arthur é um exemplo para mim, principalmente quando faço argola. A Ginástica em si nos dá uma base muito completa sobre a postura que devemos ter para poder saltar. Esses treinos, com certeza, facilitam o nosso trabalho.

O Atletismo é uma das modalidades mais tradicionais do Clube, com medalhas de grandes nomes do esporte, como João do Pulo. Como é para você estar representando esta modalidade?

É emocionante. O esporte precisa ser valorizado. Precisamos ter mais lugares para treinos, competições e principalmente patrocínios para manter os poucos centros de treinamentos que existem hoje no Brasil. Um país com 200 milhões de habitantes deveria ser uma grande potência e as vitórias, como a minha e a do João do Pulo, mais frequentes.