O CRÉDITO DA FOTO É OBRIGATÓRIO: Satiro Sodré/ SSPress

Gustavo Borges é uma inspiração para atletas iniciantes e consagrados. O nadador conquistou, ao longo da carreira, quatro medalhas olímpicas e 19 pan-americanas e é exemplo de dedicação e talento dentro e fora das piscinas. Uma das figuras mais carismáticas do esporte nacional, foi nomeado atleta benemérito do Pinheiros e foi o segundo brasileiro a entrar para o Hall da Fama da Natação mundial. Após a vitória do Clube no Maria Lenk e com os Jogos Rio-2016 se aproximando, a Revista conversou com o pinheirense para saber mais sobre a Natação brasileira, o desempenho dos atletas do Clube e, claro, suas apostas para a primeira Olimpíada no País.

Qual é a sua relação com o Clube?

A relação é total. Eu moro a um quarteirão do Clube e frequento as instalações, vou aos restaurantes, jogo Vôlei e nado. Tenho uma relação muito forte com o Pinheiros. Meus filhos também estão nos esportes competitivos do Clube. Então, como estamos perto, o Clube acaba sendo como nosso jardim, é um paraíso para nós.

O Clube aprimorou a sua estrutura esportiva em relação à época em que você treinava aqui. Como isso ajuda o atleta que está competindo hoje?

O Pinheiros está na vanguarda dos clubes do País. É uma referência em termos sociais e esportivos. Tem toda a estrutura de piscina, de quadra, de pista. É fantástico isso. O Clube está sempre investindo em oferecer o melhor, fazendo tudo acontecer.

Para um atleta de alto rendimento, o que significa treinar aqui?

O Clube tem toda a estrutura necessária para você obter seus resultados. Eu acompanhei a parte

aquática, que oferece um local muito adequado. A infraestrutura de treinamento é excepcional e isso reflete nos resultados e na forma como o Clube encara essa questão. É sempre um clube com o maior número de atletas olímpicos, participando dos Jogos, e, este ano, acredito que não vai ser diferente

O que você espera da Olimpíada Rio-2016?

Espero uma competição muito brasileira, uma competição em que vamos receber bem os fãs e os torcedores do esporte em geral. Acho que teremos uma boa participação. A nossa expectativa é de bons resultados e que tenhamos Jogos adequados na questão de infraestrutura e de atendimento aos clientes que virão para cá. Clientes sendo não só os atletas, mas os pais dos atletas, os torcedores, que esperam contar com bom acolhimento e organização

Na Natação, você consegue prever o número de medalhas e apontar destaques?

Eu acho que hoje temos algumas possibilidades na prova dos 50 m livre, com o Bruno Fratus, que vem nadando bem desde o ano passado. Na prova de 200 m, temos dois bons nadadores que estão presentes. Nos 100 m peito, outros dois nadadores têm chances reais de conquistar medalhas. Então, temos boas possibilidades e uma equipe forte, que estará preparada para bons resultados. É difícil dizer uma ou cinco medalhas, mas o Brasil tem chances e vamos lutar por elas. Se for uma ou duas medalhas, já é uma grande conquista para o País.

Você deixou as piscinas em 2004 e participou de algumas Olimpíadas. Como é estar trabalhando fora da água agora?

A sensação é diferente. Você acaba vivenciando as competições, torcendo e tudo mais e isso é muito importante. Vou estar no comentário durante as provas e estou muito animado em relação a isso. Preciso estudar bastante para saber o que dizer na hora H. Participei do Maria Lenk, vi tudo o que estava sendo montado, toda a estrutura e realmente é fantástico tudo o que encontramos. Estou muito feliz, como torcedor e como admirador do esporte.

Como nadador, do que você sente saudade?

De competir. Hoje, estava nos 50 m de manhã e queria subir no bloco e competir. Até pulei na piscina para ver se conseguia treinar um pouquinho. A sensação, quando entro em uma piscina hoje é a de que estou quase em forma para competir, mas aí começo a acelerar e o tempo não sai. Tenho de estar aposentado (risos).

Depois de quatro medalhas olímpicas e 19 pan-americanas, você acha que faltou algo na sua carreira?

Não. Não adianta querer falar que faltou uma medalha de ouro em uma Olimpíada ou algo assim, não acho que faltou. Minha carreira foi repleta de bons resultados. Em todo momento que eu caia na piscina, fazia o meu melhor, trabalhava com excelência e buscava o resultado.

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Você foi e é referência para várias gerações de nadadores. Como trabalha essa responsabilidade?

Com muita tranquilidade, já que não é um esforço muito grande você ser você. E o que faço no meu dia a dia e o que fiz no meu passado refletem quem sou. Então, até me surpreendo, em alguns momentos, quando vem algum atleta e me mostra uma foto de quando era jovem, no começo de carreira. Isso é muito legal, é um reconhecimento muito grande do trabalho que foi feito ao longo dos anos. O que você diria para alguém que está começando agora e tem você como espelho?

Tenha um sonho, um objetivo e queira chegar a algum lugar. Identificar qual é a sua Olimpíada, quais os caminhos para atingir o objetivo que tem. Depois disso identificado, trabalhar com excelência. Na Natação, um centésimo de segundo é a diferença do nono lugar para o oitavo. Todos os dias temos de buscar o nosso centésimo, o caminho da nossa Olimpíada.

Em algum momento, você pensou que faria parte do Hall da Fama?

Não, foi meio uma surpresa. Durante a construção da carreira, não tinha muitas expectativas, mas sempre achei legal. Fiquei muito orgulhoso e honrado de estar lá junto dos maiores nomes da Natação mundial.

Você acompanhou o Maria Lenk, a última competição antes das Olimpíadas. O que achou da disputa e, em especial, da participação dos pinheirenses?

Achei a competição muito forte. Algumas provas mais fortes do que outras, nomes que despontaram e algumas surpresas que nos deixaram muito felizes. O Gabriel, que pegou o quinto lugar nos 100 m livre, foi um resultado fantástico para ele. A Larissa ganhou os 200 m livre. Tivemos vários resultados, não só de pinheirenses, mas de outros atletas que compuseram esse Troféu Maria Lenk. Isso mostra a força do Clube e dos seus treinadores. A vinda do “Albertinho” para o Clube com certeza foi ótima. Ele é um treinador que agrega, atrai confiança para os treinadores envolvidos. Acho que temos um caminho muito bom não só para essas Olimpíadas, mas também para o futuro do Clube.

O que você acha que vai levar da Natação para a vida inteira?

Os aprendizados do esporte são fantásticos. Disciplina, dedicação e força de vontade. Levo todosos valores do esporte. O comprometimento com algo que o leva para frente.