“EDUCAR TALVEZ SEJA A TAREFA MAIS DIFÍCIL DE TODAS, MAS NÃO PODEMOS DESISTIR. TEMOS DE INSISTIR”

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Como você divide, com sua agenda profissional, o tempo para curtir o filho?
Tenho uma vida muito corrida e uma agenda completamente fora do padrão. Às vezes, tenho de trabalhar muito tarde ou dormir fora. Apesar dos meus compromissos, uma das
coisas que mais gosto de fazer é estar 100% com meu filho. Mas, como o meu tempo com ele é sempre menor do que gostaria, tem de ser de muita qualidade.

Depois que o Vittorio nasceu, como você se organizou em relação à família e ao trabalho?
Ele virou prioridade, automaticamente. A maternidade transforma uma mulher definitivamente: os valores, as prioridades, as importâncias. Quando estava grávida, pensava muito nisso: ‘Meu Deus, como vai ser, como vou organizar minha vida?’. E hoje consigo fazer muito mais coisas do que eu fazia antes,
porque, provavelmente, fiquei mais organizada e não percebi. Claro, tenho muita gente que me ajuda. Minha mãe, minha sogra, a babá, Lia.

Existe tempo para você?
Tem um dia da semana que ele dorme na avó materna: é o dia da avó. Nesse dia eu nem me envolvo, ela faz o que quiser, dá comida para ele como quiser, mima como quiser. Esse dia, eu ganho com o meu marido. A gente sai para jantar e fazer coisas juntos. É um
dia em que acabamos falando dele, mas é um dia nosso.

Qual a importância do tempo livre para a mãe?
Quando você tem o seu tempo, consegue sair desse momento de mãe e filho e voltar com qualidade. Quando você não tira um tempo exclusivo, se perde e acaba cobrando a criança, se cobrando, se entristece, dizendo: ‘fiz tanto por ele e pelo meu marido’. Cabe à gente administrar o tempo melhor, tentar não ser sempre a ‘mulher das ordens’.

Existe alguma culpa por ter uma agenda com muito trabalho?
Sempre ouvi muito das mulheres sobre a culpa da maternidade. É uma coisa que não tenho, não tive e não pretendo ter. A gente, mesmo que erre, erra tentando acertar e querendo o melhor. Sou uma mulher feliz trabalhando. Sou muito mais legal quando estou trabalhando do que quando não estou, porque fico realizada. Falo para ele: ‘a mamãe está saindo de casa porque vai trabalhar. E eu vou sempre ser uma mãe feliz para você se eu estiver feliz comigo’.

Como você trabalha a exposição dele?
Meu trabalho é esse e eu amo o que faço. Tenho muito orgulho da minha história e do meu trabalho. Não necessariamente o Vittorio vai gostar dessa exposição. Eu vou apoiá-lo no que ele quiser fazer da vida dele. Mas enquanto ele é pequeno, consigo colocá-lo debaixo da minha asa e fazer a foto. Claro que prefiro que ele seja um cara simpático a fotógrafos e jornalistas e não um cara avesso a isso, mas será uma escolha dele e eu vou saber respeitar.

E como ele reage?
Converso muito com ele sobre a importância do meu trabalho e sobre a importância dele na minha vida. Se ele ficasse tirando fotos mais de uma hora, acho que já ia começar a ficar chateado, porque ele quer brincar. Ainda mais quando vem para um lugar que ele adora: ele faz o CAD e aula de Tênis.

Você brinca de qualquer coisa com ele? O que essas brincadeiras acrescentaram na sua vida?
Percebi que não sou tão jovem quanto achava que era (risos). Olha que malho e tenho um ritmo de vida acelerado, mas brincar com o Vittorio gasta uma energia e tanto e a pilha dele não acaba nunca. Brinco de tudo, desde me fantasiar em casa, brincar no chão, só no escorregador não entro porque não posso.

O que você aproveita nesses momentos de lazer para passar e aprender?
Acho que no momento, com quatro anos, ele é uma esponjinha. Por ser filho único, ele tem mais dificuldade de brincar com outras crianças, porque ele convive mais com adultos. Mas desde que ele entrou na escola e no CAD, isso melhorou. Duas vezes por semana, ele está com a criançada. Eu fico tentando mostrar para ele a importância dele brincar com outras crianças, mas ele precisa saber que tem uma mãe que se diverte com ele também.

Qual a importância de um espaço como o Pinheiros?
O Clube é o nosso refúgio. É assim desde sempre. Minha sogra tem três filhos e, naquela época, você tinha uma ajudante, mas não três babás. Então, ela tinha de se virar sozinha e sempre trabalhou. Ela sempre me falava da importância do Clube. Sou uma mulher que pratico esporte, meu marido também e passamos isso para o Vittorio. Se ele quiser ser atleta profissional, melhor ainda, se não, sem problema. Ele já está na fila de um monte de coisas.

Esse seu conhecimento sobre a educação vem de onde?
Li muito durante a gravidez. Vem dos livros, da mãe, um pouco de todo mundo. Não existe uma regra para você educar. Essa é a tarefa mais difícil de todas na vida de um ser humano: educar uma pessoa para o bem, para que ela seja uma pessoa bacana. O que desejo para o Vittorio é que ele seja um cara querido, do bem, que viva a vida dele sem nenhuma amarra.

Como você se define como mãe?
Se eu for um terço da mãe que a minha mãe foi e é pra mim, já está valendo. Minha mãe é companheira, ela se desdobra. Eu já venho de uma realidade diferente. Ela foi dona de casa e mãe: essa era a profissão dela. Eu já vivo outro momento, mas eu quero ser pelo menos um pouquinho da mãe que minha mãe foi. E quero que o Vittorio perceba essa diferença, da atenção que ele tem da mãe, de uma avó, da outra avó. Minha avó faz muita falta na minha vida. Minha mãe foi pai e mãe.

Como você define a sua relação com ele?
Quase de igual para igual. Eu queria tanto esse filho, que tenho até medo. Eu trabalho e viajo, mas só pensando nele. Não consigo imaginar como vivi 38 anos da minha vida sem ele.

Você pensa em ter mais filhos?
Estou tentando ter outro filho, mas por enquanto, naturalmente, não está rolando. Vou esperar mais um pouco. A Carolina Ferraz teve um filho com 46, a Luana Piovani está grávida de gêmeos... Vou aproveitar essa onda, quero ver o que acontece.

Como é a sensação de ser mãe?
É amor que não se mede, é a sensação do coração batendo fora do corpo e tudo isso é pouco. É uma coisa tão sem explicação que, quando eu não tinha filho, eu pensava que as mães eram bem loucas. Sempre achei muito exagerado, mas agora faz sentido. Hoje consigo entender a importância de falar do filho e curtir cada momentinho, porque passa rápido. Em cada palavra nova que o Vittorio fala, pensamento ou história, eu tento prestar a maior atenção, embarco nas histórias. Daqui a pouco ele não vai querer me dar a menor bola.

Adriana-Galisteu

Profissionalmente, o que você tem para agora?
Eu sinto muita falta da TV aberta, mas agora resolvi fazer o meu programa. Em maio, vai ter o Galisteu sem Filtro, na internet, em um canal no Youtube. Serão várias matérias sobre coisas que acho legais, bem perto da minha verdade. Tem também um blog feito por mim, que não deleguei. Vou me dedicar ao máximo. Vai ter um pouco de tudo: beleza, comida, viagem, Vittorio. Também tem o programa Papo de Cozinha, que vai estrear no Discovery Home and Health, onde trabalho há três anos. É um programa divertido e diferente. Pela primeira vez, você vai me ver e falar comigo. Estou despida de qualquer relação como apresentadora, ali, sou a mulher do Alexandre e a mãe do Vittorio.