“NÃO QUERO FICAR PRESA A RÓTULOS, QUERO EXPERIMENTAR E INOVAR.”

Em um gênero musical, dominado por homens e duplas, Paula Fernandes é uma cantora (em carreira solo) que chama a atenção do público e do mercado fonográfico. Atualmente, é a maior expressão feminina da música sertaneja. Desde que foi apresentada para o Brasil por Roberto Carlos, no especial de Fim de Ano de 2010, a menina nascida em Sete Lagoas, Minas Gerais, vendeu mais de três milhões de cópias.

Paula Fernandes se apresenta pela primeira vez no palco pinheirense, no momento mais eclético da sua carreira. Foi sobre o novo trabalho, a importância de Roberto Carlos e o show no Clube que a Revista Pinheiros conversou com a artista.

Paula Fernandes_Crédito Fábio Nunes 2

Como você escolheu seus parceiros para o novo CD/DVD "Encontros pelo Caminho"?
A seleção foi feita por mim, pelos profissionais da minha empresa, a Jeito de Mato, e pela minha gravadora, a Universal Music. Em conjunto, decidimos quais músicas deveriam entrar no projeto. Eu acompanhei e dei minha opinião sobre tudo. Particularmente, gosto de destacar nesse trabalho a diversidade das parcerias. Dividi microfone com Shania Twain, Juanes, Michael Bolton, Zé Ramalho, Dominguinhos, Victor & Leo, Leonardo, Chitãozinho & Xororó, Michel Teló, Hebe Camargo, entre muitos outros artistas que admiro e respeito.

Artisticamente, o que você aprende em cada encontro que acontece na sua estrada?
Esses encontros durante minha carreira só me enriqueceram e contribuíram para meu aperfeiçoamento, tanto profissional quanto pessoal, além de me ajudar a fazer música que ultrapassa barreiras.

Mesmo misturando artistas tão diferentes, como Victor e Léo, HebeCamargo e Shania Twain, o trabalho tem uma linha muito bem definida. Em sua opinião, o que deu essa unidade?
Quero que minha música emocione o público, independente do estilo musical. Acredito que essa seja minha missão como artista. Não quero ficar presa a rótulos, quero experimentar, inovar, fazer ainda mais parcerias e mostrar ao público meu trabalho influenciado por diversos estilos.

Como você pretende levar esse trabalho para os palcos?
Até o fim deste ano, vou continuar com os shows da turnê “Um Ser Amor” e dividir meu tempo com a divulgação desse novo projeto. Mas, assim que tiver novidades, vou contar para todos os meus fãs que tanto me apoiam.

Você gostaria de dividir o estúdio ou o palco com alguém que ainda não participou do seu trabalho?
Ao longo da minha trajetória, já realizei muitas parcerias marcantes, mas ainda tenho muitas outras a realizar. É difícil dizer somente um nome.

Falando em encontros, você foi apresentada para o Brasil também em um encontro com Roberto Carlos. Qual a importância desse momento para a sua carreira?
Cantar com o Rei foi muito emocionante e com certeza foi muito importante. Desde cedo, a música esteve presente na minha vida. Com oito anos, iniciei minha carreira e me apresentava em festas e casas de shows de Sete Lagoas. Meu primeiro show foi na escola. Hoje, posso dizer que amadureci muito o meu lado artístico e pretendo continuar aprendendo todos os dias. Gosto muito do que faço e vejo que todo o esforço valeu a pena.

Você canta desde os oito anos. Você se lembra do dia em que descobriu que queria ser cantora?
A música sempre esteve presente na minha família, então, desde criança, já sabia que queria ser cantora. Não me lembro, na verdade, de querer ser outra coisa (risos).

Como foi gravar um LP aos 10 anos e gravar um DVD hoje? A emoção é a mesma?
A responsabilidade e o frio na barriga antes de cada apresentação continuam iguais. O que mudou é que durante minha trajetória eu amadureci e continuo adquirindo experiência em casa show, em cada parceria, em cada momento que vivencio.

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O que cantar significa para você?
Eu amo cantar e faço isso com a intenção de emocionar o público. As pessoas se identificam comigo, com o que canto, porque, afinal, sou como elas, simples, lutando por uma vida melhor e para ser feliz. Quero poder cantar até ficar velhinha (risos).

No País das grandes cantoras, como Marisa Monte, Gal Costa e Maria Bethânia, você se transformar na voz que mais vende, o que representa para você?
Representa muita dedicação e esforço. Sempre lutei muito pelos meus sonhos e até hoje continuo lutando por eles. Acho que, se existem bons motivos, pelos bons frutos que tenho colhido, devo também a todas as pessoas que entraram de cabeça nesses sonhos comigo.

Quais são suas influências?
Na carreira, me inspirei muito na country music da Shania Twain, com quem tive o imenso prazer de gravar a música “You’re Still The One”. Além dela, há muitos cantores nos quais me inspiro.

Você agora também administra sua carreira. Qual a vantagem de criar uma empresa para gerenciar seu trabalho?
Foi algo que aconteceu naturalmente. Resolvi abrir meu próprio escritório, que carregasse minha essência, minha identidade, com pessoas que fossem o meu reflexo.

Em que momento você percebeu que o sucesso tinha chegado?
Em muitos momentos. Para mim, o que vivo é a oportunidade de exercer o dom que Deus me deu, não só de compor ou de cantar, mas de levar alegria, de ser referência e inspiração para todos aqueles que acreditam que podem alcançar o sucesso e tudo de bom que desejam.

Como foi lidar com o megassucesso? O que mais mudou?
Hoje em dia, consigo lidar muito bem com o sucesso e a fama, mas foi um aprendizado ao longo dos anos. Minha essência continua a mesma. Sou uma mulher com hábitos simples. Consigo dividir bem minha vida pessoal e profissional e procuro sempre manter minha vida pessoal longe dos holofotes. O que deve prevalecer é a minha arte e a música. Acredito que meu trabalho tenha alcançado um reconhecimento, por se tratar de algo verdadeiro e original.

Você sempre soube que seria famosa?
Não dá para saber, simplesmente aconteceu. Porém, eu lutei muito para ter o reconhecimento de todo meu trabalho e da minha dedicação.

Em que momento você acha que está na sua carreira?
Acredito que, independente da posição em que você esteja, o importante é amar o que faz e trabalhar para realizar seus objetivos. Minha história é marcada por muito trabalho e esforço e é maravilhoso ver o retorno positivo.

Você também é compositora. O que a inspira a escrever uma música?
O meu processo de compor músicas envolve histórias vividas por mim, ou as que eu escuto ou vejo acontecer. São inspirações que estão ao meu redor e é muito bacana poder transferir essas histórias e sensações para a música.

Você mora em um sítio para ficar longe da fama?
Gosto de estar em contato com a natureza sempre que posso e quando isso acontece sou mais feliz, me renovo e me sinto livre. Dia de descanso, gosto de ficar com os animais, no campo, e pensar em começar novos trabalhos com o pé direito.

Você gosta de Festa Junina? Tem alguma lembrança dessa época?
Eu adoro Festa Junina. Eu passei minha infância na cidade de Sete Lagoas e foi uma época muito gostosa. Tenho muitas recordações boas.

O que o Pinheiros pode esperar da sua apresentação?
O público pode esperar muita animação. Neste show, vou cantar "You´re Still the One", clássico da cantora canadense Shania Twain, com quem tive o prazer de gravar o clipe dessa música e ainda participar do show dela, em Las Vegas. Também vou interpretar "Caminhoneiro", música que cantei em parceria com Dominguinhos e que faz parte do meu mais recente projeto, "Encontros pelo Caminho". Haverá forrós e também guarânias, só clássicos.

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Fotos: divulgação