Mundial Kazan 2015

O presente e o futuro do Esporte -  "Um dia quero ser considerada a melhor jogadora do mundo"

Rio-2016 será sua primeira Olimpíada. O que você espera dos Jogos?
É difícil saber, mas espero que a gente vá muito bem e faça jogos bons com todas as equipes, para assim conseguir uma boa classificação.

Tirando esse lado da competição. O que será para você estar lá, no maior evento esportivo do mundo?
Espero que seja algo gigante, mas é difícil dizer agora. Vai ser o assunto do momento, como se fosse uma Copa do Mundo.

Você representa a seleção desde pequena. Como é isso para você?
É muito legal. Nunca parei para pensar, realmente, mas quando você escuta o hino e se vê representando o seu país, dá até arrepio.

O que você pensa quando está na piscina?
Eu só jogo, não penso.

O que você espera de uma Olimpíada no Brasil, principalmente no seu esporte,
que não é tão divulgado na mídia?
Eu espero que as pessoas comecem a se interessar mais por esse esporte, porque é muito legal. Todos que não conhecem e assistem acham legal. Espero que fique mais conhecido e mais pessoas se interessem e comecem a praticar esta modalidade. E que
o esporte cresça.

Como o Polo Aquático entrou na sua vida?
O meu pai é técnico auxiliar da Seleção Brasileira. E minha mãe também jogava. Então, eu nasci na piscina.

Como é ter um pai na comissão técnica?
Tem os pontos positivos e negativos. Bom é que ele está me ajudando, mas tem vezes que ele está brigando comigo o tempo inteiro. Em casa a conversa é sobre Polo 24 horas por dia.

Como eles receberam a notícia de que você é a segunda melhor jogadora do mundo?
Todos ficaram bem surpresos, mas felizes. Eu mesma não acredito até hoje e nem penso muito nisso, tanto que não me considero ainda a segunda melhor jogadora do mundo. Acho que ainda falta bastante.

De quais conquistas você se orgulha mais?
De quando conseguimos a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. E, agora, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, também conquistamos o bronze. Foram duas grandes conquistas. Apesar de, em Toronto, estarmos com
a expectativa de conseguir a medalha de prata, mas não deixou de ser uma conquista importante.

Você recebe muitos elogios. Como você, tão nova, trabalha com essa crítica positiva?
Eu leio e depois esqueço. Para mim, o que fica na cabeça são as críticas do meu pai e da minha mãe, que me dizem em que tenho de melhorar. Não penso muito nos elogios. E jogo como se eu fosse só mais uma na equipe.

Tem algo que você deseja conquistar?
Sim, a medalha olímpica. E também um dia quero ser considerada a melhor jogadora do
mundo, pela Fina.

Hoje em dia, dá para viver do esporte?
Viver do esporte, depende do esporte. No Polo Aquático, é impossível. Por isso, até fui para uma faculdade norte-americana, porque lá dá para estudar e jogar.
Aqui é difícil. Quando eu estava na escola, sempre que eu faltava em alguma prova, era zero. Lá, eles incentivam muito, dão bolsa de estudos, podemos fazer provas online. Eles facilitam a vida do atleta.

Como é a sua rotina hoje?
Agora estou só treinando direto. São dois treinos por dia, de segunda a sábado. Tive de trancar minha matrícula na faculdade para poder vir para cá. Eu estava fazendo um curso geral de dois anos, porque nos Estados Unidos é assim, mas tive que vir para o Brasil treinar com a Seleção. Eu queria fazer Design Gráfico, mas ainda não sei. É preciso fazer um planejamento em paralelo.

Como você se vê aos 90 anos?
Acho que não vou conseguir parar de fazer alguma coisa, como nadar ou fazer ginástica. Às vezes, eu penso ‘Meu Deus, por que eu faço isso? É muito cansativo’.
E tem vezes que eu penso ‘Quando eu me aposentar, não vou fazer nada’. Em outras vezes, penso “Mas não vou conseguir ficar sem fazer nada”.