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Um dos principais nomes da nova geração do samba é a atração principal da Feijoada Carnavalesca 2016. Com quase dez anos de carreira e quatro álbuns lançados, o filho do bamba do samba, João Nogueira, volta ao Clube para agitar o carnaval pinheirense.

Antes de subir ao palco do Salão de Festas, o cantor, compositor e apresentador Diogo Nogueira conversou com a Revista sobre suas várias facetas artísticas, o novo álbum Porta-Voz da Alegria e o que os associados podem esperar desse encontro.

Vindo de uma família de sambistas, como é ser um dos principais nomes da nova geração do samba brasileiro?

Convivo com o universo do samba, com sambistas, nas rodas de samba, desde moleque, e, para mim, sempre foi uma coisa normal. Eu nem queria ser cantor, preferia jogar bola, mas o destino me trouxe para este caminho e venho trilhando por ele, buscando fazer um trabalho sincero, com verdade, respeitando as nossas raízes, mas disposto a fazer um som e uma música que tivessem a ver comigo. Me vejo como mais um artista, um cantor, um sambista que vai defender a bandeira do samba com todos os meus mestres e companheiros de geração, por toda a minha vida.

Depois de quatro álbuns gravados, você sentiu alguma diferença na hora de gravar o Porta-Voz da Alegria?Aremos um grAnde show.”

Cada disco tem uma história, um momento diferente na minha carreira e na minha vida. Hoje, me sinto mais maduro dentro do estúdio, na hora de escolher o repertório e de cantar. Este novo álbum marca o meu encontro com os produtores Lelê e Bruno Cardoso e fiquei muito feliz com todo o processo. Recebemos muitas músicas de grandes compositores e buscamos um repertório para cima, como a música Porta-voz da Alegria, que dá nome ao álbum.

Dizem que o disco é um retrato do artista no momento. Em que momento você está?

Tenho trabalhado bastante, em diferentes projetos, e estou feliz com os resultados que tivemos em 2015. Foi um ano duro para o nosso povo e o nosso País, e senti a necessidade de trazer uma mensagem otimista, de positividade, com esse trabalho atual. Acho que o álbum reflete exatamente isso, a importância de vermos o lado bom das coisas e das pessoas.

O que você acha que a maturidade lhe trouxe?

Sinto-me mais seguro, mais certo daquilo que quero e do que não quero, e isso somente o tempo e a maturidade trazem. Esse disco é um pedaço da minha história, e tem muito a ver com tudo que venho fazendo ao longo da minha carreira.

Neste álbum tem duas canções  de sua autoria, Na Boutique e Paixão Além do Querer. Como é o processo criativo? O que o inspira a compor?

Bons parceiros são um grande estímulo para compor. Paixão Além do Querer eu fiz com o Inácio Rios e o Raphael Richaid, que são meus parceiros em outras músicas já gravadas em discos anteriores, e Na Boutique fiz com dois feras, que são o Fred Camacho e o Leandro Fab, autores de sucessos gravados por grandes artistas. Quando você tem bons parceiros, tudo fica mais fácil, mas é preciso estar em um bom dia, inspirado, pois, como diria João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro: “Ninguém faz samba só porque prefere, força nenhuma no mundo interfere sobre o poder da criação.”

Você é um artista multifacetado – cantor, compositor, instrumentista e apresentador – como concilia esses trabalhos?

Meu ofício principal é cantar e a isso me dedico quase que integralmente. Mas tenho estudado trompete e até incluí um número no show atual, quando toco a música Nó na madeira. Em alguns dias do mês, me divirto gravando o Programa Samba na Gamboa, que está na sua sexta temporada, recebendo para conversar e cantar alguns grandes artistas da nova geração e artistas já consagrados. Às vezes, é uma grande correria, mas a gente sempre dá um jeito de conciliar tudo.

É uma opção ou o artista hoje tem de atuar em várias vertentes? Acho que é uma opção e que não deve ter regras. Cada um deve fazer o que gosta, o que curte. O principal é que estejamos fazendo aquilo que é a nossa verdade, aquilo que nos emociona e nos motiva a produzir.

No que o cantor ajuda o apresentador e vice-versa?

O palco é uma escola e, mesmo tendo uma curta carreira, aprendi muito do que sei fazendo shows, mas a oportunidade de ter o programa de TV me trouxe também uma fluência para dar entrevistas e ter uma comunicação melhor com meu público durante os shows.

Quem você considera mais para sua formação musical?

Tenho grandes mestres e artistas, que são referência para o que sou e o que faço. João Nogueira é a principal delas, mas são muitos nomes, de Chico Buarque a Cartola, de Martinho a João Gilberto.

Em 2011, você dividiu o palco do Pinheiros com Arlindo Cruz. Como foi?

Arlindo é um grande parceiro que me ajudou muito no início da minha carreira e fez muitos shows comigo. Sempre é um prazer me apresentar com ele.

O que você achou da plateia do Clube?

É muito bom fazer show para quem gosta de samba e participa cantando e dançando. Foi assim da outra vez e espero que seja ainda melhor nesse novo show.  A Feijoada Carnavalesca vai ser ótima. Faremos um grande show.

Na sua última entrevista à revista Esporte Clube Pinheiros, há quatro anos, você falou que tinha criado sua identidade musical com muito trabalho. Como você vê isso hoje em dia?

Continuo trabalhando muito. Uma carreira se constrói a cada dia, a cada disco, a cada show. O palco é a melhor escola que temos para aprimorar nossa arte, seguir consolidando a nossa carreira e fortalecendo a nossa identidade musical.

Você também é muito ligado ao esporte e entramos em ano olímpico. Como você vê a importância dos Jogos para o esporte nacional?

Acho maravilhoso as Olimpíadas acontecerem no Rio e espero que, além de colocar o Brasil em evidência no cenário mundial, que o País tenha uma ótima participação ganhando muitas medalhas, para levantar ainda mais a autoestima do nosso povo.

Além do Futebol, como você, que foi atleta profissional, costuma acompanhar as outras modalidades?

Gosto de esporte de uma maneira geral e curto muito Basquete,Natação e Vôlei.