RS - Rio de Janeiro (RJ) 22/08/2008 - Martinho da Vila - Foto Guto Costa

“De tudo o que eu faço, o
mais prazeroso é cantar.
Não há lugar onde eu me
sinta melhor do que num
palco”.

É quase impossível falar de samba e carnaval sem citar o nome de Martinho da Vila. O cantor e compositor foi responsável por colocar o samba entre os estilos musicais mais vendidos e respeitados do País. O álbum, Tá Delícia, Tá Gostoso (1995), ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas e sucessos, como O Pequeno Burguês, Casa de Bamba e Mulheres, são hits até hoje.

Apaixonado pela Vila Isabel, escola de samba que já teve vários sambas-enredo dele, Martinho da Vila vivencia o Carnaval há muito tempo. É com essa bagagem que o carioca se apresenta na Feijoada Carnavalesca do Pinheiros.
Antes de subir ao palco do Clube, o cantor respondeu algumas perguntas, por e-mail, e, com a tranquilidade que já virou sua marca, falou da forma de compor, do envolvimento com a literatura e, claro, sobre o que os pinheirenses podem esperar do seu show.

No começo da sua carreira, você imaginava chegar tão longe e fazer tanto sucesso?
Não. Eu comecei como compositor no 3º Festival da MPB, em São Paulo, com a música Menina Moça, e não sonhava ser cantor.

Quais estilos, nacionais e internacionais, o ajudaram a definir seu tipo de música?
Não consigo, com toda sinceridade, identificar as influências que definiram a minha música.

Você, que carrega a música brasileira das antigas, o que acha do cenário atual do samba?
Temos grandes compositores e bons sambistas, mas estão fora do cenário midiático. O que se ouve, nas rádios e programas populares, não me sensibiliza.

Como você faz a melodia e a letra de suas composições?
Normalmente, crio primeiro um esboço da melodia e depois aprimoro.Posso também começar escrevendo uma poesia, que se transforma em letra, e depois é musicada.

Você já fez um álbum em que cantava um poema de Carlos Drummond de Andrade, o Rosa do Povo (1976). Qual é a sua relação com a literatura brasileira?
Não sou um leitor compulsivo. Leio, quando pesquiso sobre algum fato ou por mera curiosidade, sobre algum assunto. Gosto também de ler por simples prazer e prefiro autores brasileiros.

Você tem um livro chamado “Os Lusófonos”. O que o atrai nos países de língua portuguesa?
Os países lusófonos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Thomé e Timor Leste) são todos muito atraentes. São distintos, estão em continentes diferentes, mas falam a mesma língua e têm muitos pontos de identificação comuns.

Você é cantor, compositor e escritor. Como concilia todas essas atividades?
Fazendo tudo bem devagar, devagarinho.
Além de cantor, compositor e escritor, tenho outras atividades.

Com mais de 40 anos de carreira, de onde vem a motivação para continuar subindo ao palco? Fazer um show ainda requer uma preparação especial?
Qualquer show, por mais simples que seja, requer uma boa preparação. De tudo que faço, o mais prazeroso é cantar. Não há lugar onde eu me sinta melhor do que num palco.

O que o público do Pinheiros pode esperar do show na Feijoada Carnavalesca. Que sucessos você pretende tocar?
Com certeza, o público vai ser embalado por boa música, pois estarei com a banda completa. O show no Pinheiros vai ser emocionante. A alegria vai imperar.