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O campeão voltou! Alberto Pinto da Silva, o treinador da Natação mais vitorioso da história do Clube, está de volta. Depois de quatro anos fora, Albertinho volta ao comando de uma das modalidades mais tradicionais do Pinheiros, de olho no corpo
associativo e no novo ciclo olímpico – Tóquio 2020 – que já começou.

Em entrevista exclusiva à Revista Pinheiros, o treinador,formado no ECP, comentou os motivos da sua volta, quais os desafios dessa nova fase da carreira e fez suas apostas para a Olimpíada do Rio-2016. Confira.

Você chegou ao Pinheiros como estagiário e chegou a coach de Natação. Agora, que está de volta, é possível fazer um balanço da sua relação com o Clube?
Tem um misto de gratidão, admiração e uma sensação de segunda casa. A metade da minha vida passei aqui e tive a oportunidade de aprender, crescer e, de certa forma, retribuir parte do que o Clube investiu em mim com resultados. É uma história de 25 anos, entrei em 1986 e saí em 2011.

A parceria “Pinheiros & Albertinho” virou modelo de treino de Natação para o Brasil. A que se deve esse sucesso?

O Clube tem uma estrutura muito boa e isso motiva os profissionais. Qualquer técnico que está no Pinheiros sabe que, a princípio, tem todas as condições necessárias. Mas eu, desde as equipes de base, nunca me contentava em “só” ter a estrutura. Buscava mais. Queria fazer um modelo de treinamento diferente,baseado na força e na técnica.
Peguei o que o Paulo César Marinho, Doutor em Ciência do Esporte, me trouxe dos arquivos e adaptei isso para a Natação. Fomos aprimorando o método. No começo, os treinadores não trabalhavam de forma igual e eu também não obrigava ninguém a trabalhar do meu jeito. Depois, todos os treinadores passaram  a usar a mesma metodologia, foram para fora do Pinheiros em um determinado momento, o que contribuiu para espalhar o método para outros clubes do Brasil.

Qual o símbolo dessa forma de trabalhar?
Na época em que trabalhava na base do Clube, somente o Rio de Janeiro tinha campeões de base. Nós fomos o primeiro clube de São Paulo a ganhar no Juvenil. Hoje, o Pinheiros é o maior campeão no Infantil, no Juvenil e no Júnior do Brasil.

Por que você decidiu voltar ao Pinheiros?
Primeiro, porque tive um convite. Depois, é um novo desafio. Já realizei aquele sonho de ir para o exterior, estava feliz como estava, tinha um grupo de atletas de
alto rendimento muito bom. Tive uma experiência rápida no Clube Paineiras, quando voltei a trabalhar com uma garotada mais nova. Aí veio o convite do Pinheiros e senti que era o desafio de voltar para cá, sou movido a isso.

Qual a principal motivação dessa volta?
Lógico que queremos ganhar os campeonatos, colocar os atletas na Olimpíada e conquistar medalhas. Mas, o que me motiva mais é chegar e fazer de um jeito
diferente. O Pinheiros mudou e eu também mudei. Não é só querer ganhar ou comparar com o Albertinho do passado. A gente quer vencer, mas acho que podemos fazer um trabalho melhor do que aquele que  fazíamos antes e melhor do que o
que vem sendo feito atualmente.

Como se faz um bom ciclo olímpico?
Com bastante dinheiro (risos). Brincadeiras à parte, dinheiro é fundamental, mas acredito muito que quem faz a diferença são as pessoas. Não adianta você ter o melhor carro e colocar a pior gasolina. Então, é a gente buscar parceiros, ter os melhores treinadores, atletas, para desenvolver esse trabalho da melhor maneira possível. Você tendo as melhores pessoas para fazer o trabalho, vai atrair os melhores atletas e o melhor resultado.

Quais são suas apostas para 2016?
Continuo apostando no óbvio,  que são os nossos medalhistas: o talento do Cesar Cielo e do Tiago Pereira. São as primeiras apostas. Depois, vejo o revezamento 4x100 livre no Brasil como uma aposta concreta. Acredito que, dos novos talentos, temos aí o Henrique Rodrigues como um cara potencial. É normal se ele chegar a uma final.

Você acha que tem algo para fazer para engajar o associado nessa modalidade que é tradicional?
Essa é uma das coisas da minha discussão com o Clube, cuja vontade vai de encontro com um dos desafios de eu estar voltando para cá. A gente dar uma condição melhor e trazer algo novo para a formação das equipes. Queremos realmente ir atrás disso. O Clube já tem uma estrutura ótima e excelentes profissionais. Mas como podemos ser melhores? Essa é a busca.

Como você vê a geração de atletas para 2020?
Da geração 2016, a gente espera que tenha um número de finais recordes na história da Natação no Brasil. Esse é o grande objetivo de 2016. É lógico que é sempre bater o número de medalhas também. O nosso recorde foi de três, em Atlanta. A gente acha que hoje já temos atletas no mesmo nível e condições de bater esse número de medalhas. Mas uma coisa é você ter condição e ‘achar’ e outra é realizar. Se a gente
tiver isso em 2016 e com uma geração ainda com muito gás ou a melhor olímpiada deles podendo ser a de 2020, a gente vai ter potencialmente um grupo grande em finais e com condições de medalhas em 2020. Essa olímpiada vai ser importante para definir a próxima, tudo é parte de um processo.

Como fica sua rotina agora com a seleção e com o Pinheiros?
Tem uma ou outra coisa que o Pinheiros já sabe que eu teria que cumprir, já discutimos previamente e eles concordaram. Até porque é uma coisa boa para o Pinheiros. Mas eu já tinha, desde o fim da última olimpíada, um compromisso com a CBDA. Faço parte da Comissão Técnica Permanente, como coordenador técnico do time masculino, e isso vai até a olimpíada. É algo que gosto de fazer e acho importante. E o Clube também entende dessa maneira. Não me atrapalha, acrescenta.

A delegação chinesa vem para treinos aqui no Clube, o que você acha disso?
É bom para o Clube, financeiramente. Pode ser boa a convivência para os associados. Mas, na Natação, estaremos focados no nosso time. Bacana será levar os atletas de base para olhar, já que a China tem vários campeões olímpicos. Mas se meu atleta, que vai disputar  a olimpíada, ficar tirando foto com chinês, vai tomar um tapa na orelha (risos). Ele tem de estar focado na Olimpíada.

Vocês já estão pensando no ciclo olímpico de Tóquio?
Os Jogos Rio-2016 ainda não aconteceram, mas já eram. Dentro do Pinheiros ou até fora, o que tinha para ser feito para 2016, já foi. O trabalho já está montado, agora é finalizar bem e pensar em Tóquio.