Essência e modernidade

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O sertanejo é um dos gêneros musicais que mais mudou nos últimos anos. Saber acompanhar essa evolução (sem perder a essência caipira) é o grande trunfo dos irmãos José de Lima Sobrinho e Durval de Lima, conhecidos, nacionalmente, como Chitãozinho & Xororó.

A dupla, apontada como responsável pela popularização da canção caipira nas capitais, tem, na sua biografia, marcas e inovações importantes, como os primeiros sertanejos a tocar em rádios FM no País, ser os precursores na inclusão de banjos e guitarras elétricas dentro do estilo e ser a primeira dupla sertaneja a colocar o Brasil no topo das paradas da Billboard.

Essas conquistas não deixam os intérpretes de Fio de Cabelo parados. Em um dos seus mais recentes trabalhos, os cantores se uniram à nova geração sertaneja para celebrar os 40 anos de carreira e receberam, no palco, nomes de destaque, como João Bosco & Vinícius, Michel Teló, Luan Santana e Guilherme e Santiago.

A dupla Chitãozinho & Xororó é conhecida por levar a música caipira às rádios FM brasileiras e sempre buscar inovações. Como vocês lidam com essa história?
Xororó: Todo o nosso trabalho sempre foi de muita luta.
Lutamos muito para chegar aonde chegamos, foram muitos anos de dedicação plena e somos muito orgulhosos por tudo o que conquistamos. Fazemos isso porque gostamos e com o objetivo de encher de alegria nossos fãs e as pessoas que atingimos com o nosso trabalho. A dedicação diária, para que o nosso trabalho dê certo, é fundamental.

Quais foram as influências de outros estilos, nacionais e internacionais, que ajudaram a definir a música da dupla?
Chitãozinho: Foram muitas as influências, de Roberto Carlos a Beatles.

Com mais de 40 anos de carreira, de onde vem a motivação e a inspiração para continuar na estrada?
Xororó: Nosso trabalho é a nossa satisfação. Nós envelheceremos cantando. Não pensamos em parar. O público também sempre nos motiva. A alegria transmitida nos impulsiona a cantar e, sempre, buscar o melhor de nós mesmos.

Apesar de décadas de carreira, fazer um show ainda requer uma preparação especial?
Chitãozinho: Fazemos uma preparação vocal, conversamos com os músicos e oramos antes de subir ao palco. Ainda sentimos um friozinho na barriga. Cada show é único e fazemos com carinho, desejando que o público vibre a cada segundo, com a gente.

O público da dupla também se renovou ao longo do tempo?
Xororó: Temos nossos fãs do início da carreira, que continuam nos acompanhando, e também conquistamos um novo público, formado, principalmente, por jovens.

O que vocês acham das novas duplas sertanejas que aparecem quase diariamente no gênero?
Chitãozinho: O universo sertanejo é bastante abrangente e o sertanejo universitário é um movimento importante e está renovando, não só o público, mas os intérpretes da música sertaneja. Ele acaba impulsionando o sertanejo como um todo, já que a geração mais nova acaba cantando as nossas músicas. As canções estão ganhando releituras e, assim, as novas gerações têm a oportunidade de conhecer os grandes sucessos de antigamente. Existem duplas sertanejas muito boas, mas, em contrapartida, existem algumas não tão boas assim. Quem tiver talento, vai permanecer.

E ocorre o contrário? Vocês se sentem, hoje, influenciados por essas novas duplas sertanejas?
Xororó: Claro. Admiramos o trabalho de várias duplas sertanejas desta geração e até convidamos o Fernando Zorzanello, da dupla Fernando e Sorocaba, para produzir nosso novo disco.

Ambos são conhecidos como bons compositores, mas, no novo trabalho, foram buscar música da nova geração sertaneja. Existe nisso o objetivo de ‘modernizar’ o repertório de vocês, misturando com as inovações das duplas de hoje?
Chitãozinho: Estamos sempre nos renovando e acompanhando a atualização do estilo.Então, escolhemos algumas canções e fizemos o convite para o Fernando fazer o arranjo. A princípio, ele pensou que era para uma música só. Aí falamos que era para o CD inteiro.

Como vocês definiriam esse novo álbum, em termos de composição, temas das letras? Como ele se assemelha ou se diferencia dos trabalhos anteriores?
Xororó: É um repertório romântico com arranjos diferentes, uma ou outra música com a mesma ideia de arranjo, porém a sonoridade é outra. O trabalho foi produzido pelo Fernando Zorzanello, contou com arranjos de Gabriel Júnior e as participações especiais do rapper Cabal, do projeto Dexterz e, claro, do Fernando e Sorocaba.

Vocês já chegaram a vender 1,8 milhão de cópias, em 1984, com Amante, e, em 1985, com Fotografia. Em 2013, quase 30 anos depois, como esperam que seja a vendagem desse novo álbum?
Chitãozinho: Todos os músicos desejam ser reconhecidos pelo trabalho que fazem. Então, acho que todos os que estão no meio querem suas músicas estourando e na boca do público. Esperamos que o novo disco seja um sucesso.

Vocês se apresentaram na Festa junina do Pinheiros e o show ficou marcado na memória de vários associados. Vocês têm alguma recordação dessa apresentação?
Xororó: De todos os locais por que passamos, levamos alguns momentos na lembrança. Cada show é especial e fazemos com carinho, por isso, quando nos lembramos da apresentação na Festa junina do Pinheiros, lembramos da energia do público, que nos recebeu muitíssimo bem e da animação, inconfundível.

O que o público do Pinheiros pode esperar do show na Festa Junina no Clube? Quais sucessos, antigos e novos, vocês pretendem tocar na apresentação?
Chitãozinho: O público pode esperar muita animação. Vamos cantar todos os sucessos e fazer com que todos tirem o pé do chão. Queremos que nossa música tome conta de todos os que estiverem presentes.