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“NA VIDA, A GENTE COMPETE PARA TUDO E NADA MELHOR DO QUE APRENDER A COMPETIR  POR MEIO DO ESPORTE”

 

Qual a sua relação com o Clube e com o Tênis?
Bom, os meus pais, Norma Salibi e José Salibi Júnior, se conheceram aqui no Clube. A minha mãe foi, na época dela, a melhor levantadora do Brasil e chegou à Seleção Brasileira. Meu pai nadava, mas mais por prazer. A minha mãe é formada em Educação Física e, então, está sempre estimulando o esporte. Aqui, no Clube, eu fiz praticamente de tudo: Ginástica Olímpica, Basquete e joguei no time de Vôlei do Pinheiros. Por intermédio de um amigo, o Tênis apareceu mais tarde na minha vida. Treinei, comecei fraco, mas, em pouco tempo, já despontava como um dos melhores do Brasil, na categoria Júnior.

Por que o senhor parou?
Eu joguei tudo o que tinha para jogar praticamente. Fui vice brasileiro Juvenil duas vezes e fui campeão brasileiro do Juvenil. Joguei pelo Pinheiros até os meus 16 anos, depois eu fui para o Harmonia. Fui convidado para jogar em uma equipe de primeira classe, mais forte, mas continuei sendo associado do Clube. Pelo Pinheiros, eu tive vários títulos: Estaduais, Brasileiros e Sul-Americanos também. Depois, eu joguei até os 21, 22 anos e cheguei a jogar profissionalmente também. Fui rankeado no ATP.

Quais lembranças e ensinamentos dessa época o senhor carrega até hoje?
Ensinamentos da competição. Na vida, a gente compete para tudo e nada melhor do que você aprender a competir por meio do esporte. Para mim, o Pinheiros é o melhor clube do Brasil. Os ótimos professores e o alto nível do treinador me formaram como atleta. Para ser esportista de alto nível, você tem de ser bom atleta. Os fundamentos da competição, da atitude, do treinamento, da rotina, sempre foram essenciais e tudo aprendido aqui e com meus pais, que me colocaram no
Clube.

A sua vida profissional é marcada por ideias. O senhor escreveu um livro e fundou a HSM. Como surgiu a ideia de montar essa empresa?
Foi com outro pinheirense, que jogava Tênis, o Harry Ufer. Sempre fomos amigos do Tênis, ele um pouco mais velho do que eu, e sempre falávamos em fazer algum negócio juntos. Notamos que, naquela época, faltavam informações de alto nível para a comunidade empresarial. Decidimos, então, fundar a HSM, cujo objetivo é trazer o melhor do mundo da gestão, os melhores pensadores para a comunidade empresarial, para seminários etc. E, logo, no começo, já foi um sucesso.

Vocês esperavam ver esse sucesso?
Não, a gente nunca imaginou que a empresa fosse durar 27 anos. Na verdade, ela acabou tendo vários outros acionistas e a gente vendeu a empresa lá trás, mas eu continuei. Hoje, o importante é que os principais acionistas são a RBS, do Sul, uma empresa de comunicação e a Anima Educação, uma empresa da área da educação.
Eu continuo como Chief Knowledge Officer, que é o meu cargo, eu cuido do conhecimento. A HSM é uma das principais empresas do País, na educação executiva.

Qual diferencial o senhor aponta na sua empresa que a faz se destacar?
Principalmente o nível de palestrantes que nós trazemos, os grandes gurus da gestão. A gente conseguiu desenvolver um relacionamento comos maiores nomes do mundo, como o Michael Porter, Philip Kotler e o William Ury. A HSM conseguiu se posicionar junto a esses grandes nomes, como uma empresa para eles trabalharem aqui no Brasil.

Como vocês chegaram a esses nomes?
Aí entra um pouco do esporte: a persistência, a vontade de vencer, a vontade de trazer os profissionais, tudo a gente foi conseguindo com o passar do tempo. Uma coisa foi sendo construída em cima da outra.

Como surgem as ideias?
Na verdade, eu sou um buscador de ideias. Eu sempre busco as principais cabeças do mundo, que acabam passando suas ideias ou por palestras, ou por artigos, ou via livros. Então, estou muito antenado com tudo isso. Meu trabalho principalmente é fazer a curadoria, pincelar aquelas coisas que realmente são importantes, dos grandes nomes já consagrados e dos nomes que estão surgindo. Esse é o nosso trabalho.

Como surgiu a ideia de escrever um livro com 11 dicas?
As pessoas que trabalham comigo sempre dizem que eu tenho bons insights.
Na verdade, o insight é aquilo que você extrai de alguma situação, de algum conhecimento. Fomos convidados para escrever um artigo para uma revista, depois outro artigo. Aí eu fiquei pensando: ‘Se eu escrever mais oito artigos, dá um livro’. E aí surgiu o livro, que chegou a ser o segundo, na lista do Valor Econômico, e, na lista da Folha de S.Paulo, chegou ao número 7, se não me engano. Para quem não tinha pretensão... Muito da razão de escrever um livro também foi para dedicar ao meu pai e à minha mãe. Eu queria fazer uma dedicatória para que o mundo inteiro visse. Eles foram muito importantes na minha vida e essa é uma maneira legal de agradecer tudo o que fizeram por mim. Principalmente, colocar o esporte na minha vida e eu no Pinheiros. Então, o Clube está intimamente ligado à minha vida pessoal, profissional e familiar. Até brinco que talvez eu tenha sido concebido aqui.

Como o senhor se define pessoal e profissionalmente?
Inquieto, sempre buscando coisas novas, tirando prazer em aprender, em estar com gente melhor do que eu. Nunca achar que nós somos superiores. Basicamente isso.

Fala-se muito da sua carreira como uma carreira de sucesso. Existe um segredo?
Trabalho duro, fazer o que gosta principalmente e, a partir do momento que você faz o que gosta, tem de tentar ser o melhor para o mundo nessa área, mesmo que você não consiga.

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O senhor trabalha com uma das áreas mais valorizadas, que é a do conhecimento. Tem como definir a importância do conhecimento hoje em dia?
Na verdade, o conhecimento está aí para todo mundo. A gente vive num momento em que não existem mais barreiras para o conhecimento. Você pode pegar conhecimento em todo lugar que você vai, na internet, na Wikipédia, no Youtube. Você pode ver cirurgia, você pode ver qualquer coisa. Mas o principal é o que você extrai do conhecimento. Você tem de treinar sua cabeça para saber extrair o que realmente é importante. Porque informação tem aos montes, agora, para tirar o que é diferente, aí você tem que treinar muito.
Como pode ser feito esse treinamento?
Sendo curioso, falando com muita gente, ouvindo mais do que falando. Falando com gente mais inteligente do que você, lendo coisas importantes, viajando muito, procurando entender como o melhor é feito. Acho que um defeito do nosso País é não entender como o melhor é feito, e aí vai, mas não tem muito segredo, é juntar as
partes. Juntar o que há de melhor no mundo inteiro. E saber aplicar.

O que é para o senhor, hoje, pisar em uma quadra de Tênis?
Tudo. Sou, ainda, totalmente ligado ao Tênis. Tenho na minha casa, comecei a colecionar, aos poucos, fotos profissionais de grandes tenistas, de todas as gerações. Eu diria que eu tenho a maior galeria de fotos de Tênis que existe no Brasil ou talvez no mundo, desde tenistas de 1930, até os de hoje. Fotos maravilhosas, são 130 fotos e crescendo ainda. Então, eu tenho essa paixão de ir, todos os anos, a um torneio grande ou a torneios menores. O Tênis também me dá muita paz e vendo uma partida me sinto feliz. Fico 14 horas assistindo direto, sem parar. As pessoas que estão comigo enlouquecem. É uma relação muito forte, já que foi o esporte que eu escolhi. Poderia ter escolhido outros, mas escolhi o Tênis. Como minha mãe foi voleibolista, ela sonhava que eu fosse o próximo jogador da Seleção Brasileira de Vôlei. Quando eu falei que não ia jogar mais Vôlei, ela ficou para morrer, porque ela foi da Seleção Brasileira e foi, talvez, uma das mais consagradas atletas. Ela está com 87 anos agora. Mas eu escolhi o Tênis que foi a minha paixão. Por ser um esporte global, o Tênis acabou me levando, despertando essa curiosidade de estar em lugares melhores e de eu tentar entender porque aquele outro lugar é melhor do que o nosso.