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Alcione
A Feijoada Carnavalesca do Pinheiros terá como atração principal a cantora Alcione.
Comemorando quatro décadas de carreira, a maranhense coleciona discos de ouro
e vários sucessos.
Entre um show e outro da sua nova turnê, a Marrom conversou com
a Revista Pinheiros. Confira.

Como é comemorar 40 anos de carreira no palco?
É uma glória para qualquer artista. Tenho a felicidade de ter chegado até aqui, sendo acompanhada por um público que, para a minha alegria, continua aumentando.

O show que marca essa comemoração une o resultado da Jam Session (um projeto mais intimista) com o Ao vivo, na Mangueira. Como surgiu essa ideia?
É um projeto intitulado Duas Faces e foi concebido para comemorar esse momento da minha carreira.
Na verdade, são diversos produtos (DVD e Blu-ray) com esse título e os álbuns chamam-se Duas Faces - Jam Session e Duas Faces - Ao vivo, na Mangueira. O primeiro foi gravado em minha casa e, o segundo, conforme sugere o título, na quadra da Estação Primeira.

Como foi gravar um disco ao vivo na Mangueira?
Uma alegria imensa porque o público jamais poderia ficar fora dessa festa. É uma longa carreira, com a parceria dos fãs que, graças a Deus, estão prestigiando os espetáculos e a turnê pelo País. Tê-los também na quadra da minha Escola do coração, cantando comigo, foi a realização de um grande sonho.

Qual a sua relação com a Escola de Samba da Mangueira?
De muito amor e respeito. Um amor correspondido, felizmente.

Como o público recebeu essa turnê?
Com muito entusiasmo, porque é um espetáculo comemorativo e o público não poderia ficar fora dessa festa.
Além disso, o repertório tem muitos sucessos e também músicas de que o público gosta, mas quase não tem chance de escutar nas rádios por não ser consideradas radiofônicas. Bom é que os fãs conhecem a letra e melodia "de cor e salteado ." (risos).

Qual a sua relação com o Carnaval?
Desde menina, sempre gostei muito do Carnaval, principalmente, do carnaval de rua, dos blocos e bandas. Sou apaixonada pelo espetáculo deslumbrante que as escolas de samba realizam, todos os anos, nos desfiles. Principalmente, pela minha escola do coração: a Mangueira!

Você já foi tema de enredo de Escola de Samba. Como foi receber essa homenagem?
Uma das maiores emoções da minha vida, nem dá para dimensionar. E, para uma artista popular como eu, é a maior homenagem que se pode receber em vida.

Você entrou para o time das grandes cantoras com personalidade e um vozeirão inigualável. Como surgiram essas marcas?
Sempre procurei fazer meu trabalho com sinceridade, honestidade e batalhei muito para construir uma carreira.
Só gravo o que sinto, o que me emociona e fico feliz com o reconhecimento público e da mídia.

Você teve aulas de canto? Como trabalha a voz?
O melhor remédio para a voz é dormir, descansar o suficiente.

O que significa cantar?
Cantar é meu ofício e minha vida. Só tenho a agradecer a todos aqueles que me ajudaram a trilhar essa estrada.

O que a Alcione, fora dos palcos, gosta de cantar e ouvir?
Tanta coisa. Gosto de música boa, independentemente de estilos. Tanto faz ser samba, jazz, música romântica, forró. Basta me emocionar.

Seu público é bem variado e está sempre se renovando. Como se sente?
Muito feliz, quando observo isso. Novas gerações chegando, prestigiando não só o meu trabalho, mas também o de tantos outros artistas. No Rio, há um movimento na Lapa que está fazendo uma grande revolução musical.
Os jovens que tocam nas casas noturnas do bairro estão ajudando a divulgar muita gente que, sem essas intervenções, talvez não tivesse seu trabalho reconhecido pelas novas gerações.
São bambas, veteranos e uma história musical que estão sendo apresentados à juventude por músicos também jovens e que estão procurando conquistar seus espaços, sem esquecer
quem os antecedeu. Esse movimento, pelo que parece, está acontecendo em muitos outros estados, inclusive aqui, em São Paulo.

O que planeja de especial para apresentar no Pinheiros?
O mais especial, para qualquer artista, é agradar o seu público. Quero é ver a plateia feliz, cantando, interagindo.
Afinal, são 40 anos de estrada e quero comemorar com os fãs do Pinheiros também!

Depois de 21 discos de ouro e cinco de platina, ainda tem alguma coisa para conquistar na sua carreira?
Claro. E muitas, se Deus quiser.

Você imaginava o sucesso que tem hoje e como se preparou para ele?
Não, de jeito algum. Claro, que a gente sonha com o sucesso, mas não se prevê essa dimensão. Quanto à preparação, o que faço , até hoje, é trabalhar muito (risos).