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A música erudita pinheirense está bem representada. O jovem associado Roberto Prado, músico da Orquestra Pinheiros, foi um dos finalistas   do concurso de composição realizada na Ucrânia, em novembro. O Orient/Occident Composers Competition 2015 reuniu 12 compositores, de diversas partes do mundo, para uma apresentação especial com a Orquestra Filarmônica de Lviv.

Com uma história musical que passa pela Orquestra e Banda Jazz do Pinheiros, Roberto Prado conversou com a Revista Pinheiros para contar essa experiência e a importância da música no Clube. E, ainda, disponibilizou,  o vídeo com o resultado da sua passagem pela Ucrânia. Confira nesse link -  https://www.youtube.com/watch?v=wN5lOW-8vbY

Como foi sua participação no concurso de compositores na ucrânia?

Esse é o quarto concurso de composições em que me inscrevo neste ano. Os três primeiros foram de composição para trilha sonora. O Orient/Occident se encaixava no que eu queria, especificando os instrumentos que podiam ser utilizados. Eu tinha acabado de fazer uma composição com meu professor e achei que seria hora de apresentar. Enviei para o concurso, até sem muita expectativa. Quatro profissionais da equipe da Ucrânia avaliaram as composições enviadas e escolheram 12.

Qual era a premiação?

Esses 12 compositores, que passaram no concurso, ganharam a chance de os músicos da Orquestra Filarmônica de Lviv tocarem e gravarem as peças deles. Desses 12 saiu o vencedor. Foi da Coreia do Sul, estava muito boa a composição dele.

Como foi a sensação de ouvir sua música tocada por uma Orquestra europeia?

Foi bem diferente de ouvir no computador. Com os músicos tocando, são outras dificuldades e outras alegrias. Mandei uma música chamada Divertimento. Tenho um professor de composição com quem estou fazendo um estudo cronológico da história da música. Então, começamos fazendo uma fantasia, depois estudamos sonata. Quando fizemos Divertimento, estávamos estudando rondó, que é uma forma clássica. Acabei compondo desse jeito, fiz essa música como um estudo mesmo.

Como a sua música foi recebida na ucrânia?

Eles gostaram bastante. O bom desse encontro é que todas as composições eram bem diferentes. E a minha era mais tonal. As outras eram muito contemporâneas, vanguardistas. A minha era um pouco mais fácil de ouvir.

Onde se encaixa seu trabalho, na música contemporânea?

Estou tentando entrar nesse meio ainda. O que quero focar na minha carreira é a trilha sonora, mas como esse tipo de música tem forte base no clássico e erudito, estou estudando bastante essa área.

qual é a sua formação musical?

Comecei a estudar saxofone quando tinha 11 anos. Todos na minha escola tocavam teclado ou bateria, mas eu queria tocar um instrumento diferente. Aí escutei um disco do João Gilberto com Stan Getz interpretando clássicos da bossa nova e pensei: ‘é isso, já sei o que eu quero’. Há cinco anos, comecei a estudar piano também, popular e erudito, para ajudar na composição. É um instrumento fundamental para quem quer compor, porque é fácil devisualizar tudo.

qual o papel da Orquestra Pinheiros na sua formação?  

Aos 15 anos, comecei a tocar na Orquestra Pinheiros e foi muito bom. Conheci o Maestro Murilo Alvarenga e ele é sensacional. Quando entrei, era o mais jovem do grupo e estava começando, então tive que estudar para pegar as leituras e aprender as músicas. Foi bem importante, porque o repertório varia bastante. Uma hora temos música de Natal e em outra trilha de cinema.

Como foi quando você entrou na Orquestra Pinheiros, aos 15 anos?

Foi meio aterrorizante (risos), porque nunca tinha feito prova para entrar em um grupo musical. Minha mãe falou: ‘vamos para um lugar...’ Ela sempre fala isso e não diz para onde. Aí levei o saxofone e foi no Clube que comecei a tocar para o Maestro Murilo Alvarenga.  A prova foi no Salão de Festas e o pedido foi para eu tocar a Pantera Cor-de-Rosa. Eu estava tremendo. Mas, o Murilo me ajudou muito na minha trajetória.

Como você vê a Orquestra do Clube comparada a outras?

É uma atividade para os associados e o clima é bem descontraído. Comparando com a Orquestra Tom Jobim, em que também toco, é diferente. Lá, o pessoal ganha bolsa, acaba ficando um clima mais sério, mas o do Pinheiros é mais descontraído. Costumamos fazer apresentações no Museu da Casa Brasileira e é sempre divertido.

Quais são suas referências musicais?

Comecei escutando Bossa Nova e Jazz. Tocava bastante em bandas, com repertório popular. Há quatro anos, comecei a estudar mais a fundo a música erudita. Tem tanta gente boa nesse mundo e fica difícil falar qual é meu preferido. Comecei escutando bastante Tom Jobim.

Você vê muita diferença entre a música clássica e a popular?

Acho que música é uma questão de linguagem. Assim como você pode ter uma conversa informal, você pode ter uma conversa mais formal. Às vezes, acho que o pessoal deixa muito separado, principalmente o de vanguarda. É chato ter esse preconceito entre erudito e popular, acaba ficando muito segregado.

Hoje, você faz faculdade de Música, qual é o seu objetivo? 

Tem muita gente que faz faculdade de Música para conseguir um diploma e ter uma carreira mais bem-sucedida, porque muitos lugares exigem o certificado. Eu quero ter uma base muito boa de música erudita. Estudo na UNESP, uma das melhores escolas nessa área, os professores são muito bons e o curso é bem estruturado. Estou aproveitando bastante.

Por que você quer fazer trilha sonora?

Sempre gostei de cinema, para mim é uma arte fenomenal.  Sempre vejo muitos filmes e acabei ficando aficionado com trilha, porque misturava as duas partes: visual e auditiva. Também porque, em composição, é uma das áreas mais bem-sucedidas e rentáveis.

Como seguir uma carreira como músico?

Precisa ter muito contato, porque não tem uma empresa em que você vai pedir emprego. Precisa  ir se adentrando na área e se especializando. Tem muito curso bom hoje em dia em todos os campos. Aqui no Brasil é mais difícil com trilha sonora, mas nos Estados Unidos é muito fácil achar cursos de pós-graduação nessa área.

Para um músico jovem como você o que significa estar entre os 12 selecionados em um festival na ucrânia?

Dá um peso no currículo! Principalmente, por ter sido na Ucrânia, que tem uma forte tradição de música erudita. Dei uma minipalestra sobre música brasileira e foi ótimo. Eles adoram bossa nova e música brasileira em geral.

Qual é a sua relação com o Clube?

Eu era federado do Basquete, mas saí, fiquei meio traumatizado (risos) e fui ser músico. Uso o Clube mais para estar com a Orquestra mesmo e com a família também. É um espaço fenomenal aqui. Estava na Banda Jazz, ajudando o Bazotti, e, quando era bem pequeno, participei aqui de um festival de talentos. É uma relação musical com o Pinheiros.

Para conhecer mais sobre o trabalho do pinheirense, acesso seu site www.robertopradomusic.com.br