419A3388-ALTADaniella Cicarelli continua só sorrisos. O bom humor e a naturalidade, que fizeram com que a modelo conquistasse os jovens da MTV e um programa dominical na Band, continuam em ótima forma. A apresentadora, advogada, triatleta e, agora, mãe, conversou com a Revista Pinheiros sobre sua proximidade com o esporte, a relação com a fama e com o Clube. Confira.

Você pratica esportes com qual finalidade?
Esporte ajuda a emagrecer, deixa o corpo mais bonito, mas o bem que o esporte faz para a sua cabeça é infinitamente maior do que o benefício que traz para o corpo. Acho que todo mundo é obrigado a fazer. Se não tem tempo, acorda um pouco mais cedo, vai dormir um pouco mais tarde ou rouba um pouco do horário do almoço. Não tem dinheiro? Compra um tênis e vai correr ao ar livre. É muito democrático, você pode praticar de acordo com o seu poder aquisitivo.

Seu nome sempre esteve relacionado ao esporte. Como ele entrou na sua vida?
O esporte trouxe tudo de bom que eu tenho. Sou de Belo Horizonte e lá sempre pratiquei alguma coisa. Eu me lembro, há muitos anos, quando chegou o Jiu-jítsu ao Brasil, eu fiz algumas aulas. Sempre fui antenada no assunto. Quando me mudei para São Paulo, uma das minhas primeiras amigas me convidou para correr uma maratona. E eu falei: ‘Vamos!’. E aí ela disse: ‘Você corre 42?’. E eu pensei ‘Mas, 42 o quê?’ (Risos). Procurei uma Assessoria Esportiva, em 2000, para reforçar os exercícios, já que todas as fases da minha vida sempre estão linkadas ao esporte.

Como você chegou ao Triatlo?
Comecei a correr e aí começaram a aparecer as lesões. Comecei a pedalar também e pensei que, já que estava correndo e pedalando, ia aprender a nadar também. Até hoje eu não consegui aprender (risos). Fiz umas aulas aqui, paguei muito mico e parei, mas como gosto de desafios, então, agora, me inscrevi no Tênis do Clube.

Você participa de provas?
Faço uma prova grande por ano: o Ironman. Não quero fazer muitas provas grandes por ano, porque senão você fica muito escravo. Acho legal esse ciclo. Acabei de fazer o Ironman de Miami, estava em um treino insano.

A corrida é o esporte de que você mais gosta?
Acho a corrida muito prática. É um esporte ingrato, porque você fica ummês sem correr e parece que você nunca correu na vida, corrida é muito democrática. Seja lá onde você estiver no mundo, dá para você dar uma corridinha. Pode não ser um grande perímetro ou um chão perfeito para correr, mas dá para correr em qualquer lugar. Nas grandes cidades onde já fiz maratonas, em Paris ou Nova York, eu conheci a cidade inteira correndo.

Em algum momento você pensou em seguir a carreira, como atleta?
Não, senão estaria magrinha e passando fome, mas sempre pensei que nunca vou parar, não importa a idade que eu tiver, nem o esporte ao qual tenha que me adequar. Nunca vou parar, porque, como filosofia de vida, acho que as pessoas que praticam esportes têm um astral diferente, uma energia diferente.

Sobre alimentação, é verdade que você é apaixonada pelo pastel da Lanchonete da Piscina?

Esse pastel do Clube é maravilhoso (risos). Gosto de comer. Minha família é italiana e mineira – juntou as duas e é gente que gosta mesmo de comer. Para o italiano, sentar à mesa, é quase como um ritual. Não gosto de almoçar um sanduíche. Gosto de comer tudo direitinho: arroz, feijão, carne, legumes, salada. Mais o chocolate. Um dia sem chocolate eu não sei como é, porque não existe para mim.

Sobre a sua carreira. Quando começou na TV?
Comecei na TV em 2001. Fiz uma novela, das sete, na Rede Globo, As Filhas da Mãe. Era um elenco com o qual, hoje, eu não teria coragem de trabalhar. Eram pessoas incríveis: Tony Ramos, Fernanda Montenegro, Raul Cortez, Cláudia Raia, Alexandre Borges... E eu ficava completamente desesperada e insegura, porque, ainda, eu beijava o Reynaldo Gianecchini. Quando acabou a novela, fiquei fazendo a Turma do Didi. Depois, a MTV me convidou para fazer um verão, no fim de 2001. Em 2002, ganhei meu próprio programa e fiquei seis anos por lá. Em 2008, 2009 e 2010 fiquei na Band.

Como foi essa experiência, de ser apresentadora em uma TV aberta?
Sou de TV fechada, fiquei seis anos da minha vida em TV fechada, para jovens. Não tinha aquela cobrança do Ibope. Tudo na vida tem cobrança, você tem cobrança, eu tenho cobrança, mas quando a cobrança é muito louca, você não consegue ficar à vontade para fazer bem suas coisas, você perde um pouco a qualidade. Esse era o meu sofrimento na TV aberta em relação à TV fechada.

Você também se formou em Direito?
Em 2011, eu terminei a faculdade de Direito e pensei: ‘Estudei cinco anos uma profissão e por quê?’. Minha primeira faculdade, em Belo Horizonte, foi Administração. E por que, depois de velha, eu resolvi sair da MTV e fazer uma faculdade de Direito? Todo mundo falava: ‘Faça Rádio e TV, faça Comunicação’. Mas, aí eu dizia, mas tem tudo a ver - o advogado tem de falar e convencer. O apresentador também. Cheguei a trabalhar em um
Escritório de Direito, ligado a esporte e a leis de incentivo ao esporte.

Como foi estagiar?
Se tem uma coisa nesta vida que não consigo ser é normal (risos). Eu tinha uma gaveta repleta de comida, então, teclava uma coisa e comia uma coisa. As pessoas ficavam me olhando como se eu fosse um E.T. Dava 19h, eu saia correndo para ir correr (risos). Trabalhei nesse escritório de advocacia para entender o motivo de eu ter feito essa faculdade.

O que você planeja para a sua carreira?
Na verdade, as coisas foram aparecendo na minha vida. Era para ficar só dois anos na Band e, no fim do contrato, eles renovaram por mais um ano. Nunca imaginei que voltaria para a MTV, e voltei. Isso não quer dizer que eu não corra atrás. Eu estou sempre rezando, sou a rainha da novena, do santinho, das promessas. Não dá para você ficar só sentada, rezando e pedindo, mas também não dá você só ir atrás, sem ter nada mais. Acho que uma coisa complementa a outra. Eu rezo, mas também vou atrás. Em 2015, tenho vontade de voltar para a TV.

Qual é a sua relação com a fama, hoje?
Comecei a ficar famosa, com 20 anos. Até a adolescência, a minha vida era em Belo Horizonte, com a minha família. Com 20 anos, eu era dona do meu nariz, tinha o meu dinheiro, era conhecida, tinha as portas abertas. Tudo o que eu fiz de certo e de errado todo mundo viu. Só que eu nunca fui de expor. Principalmente hoje, que tenho uma família e ninguém é do meio artístico. Minha filha é um bebê. Ela pode crescer e ser famosa, uma esportista, uma modelo, uma advogada. Não sei o que ela vai ser. Aí ela escolhe. Meu marido é engenheiro. Eu não consigo expor eles a nada. Ao mesmo tempo, também, não é esconder: eu tenho um marido e uma filha.

Sente saudade da exposição na grande mídia?
Não tenho saudade dessa superexposição, porque é duro, você sofre. Tem uma coisa boa que é você trabalhar e ganhar dinheiro, mas é duro. Ao mesmo tempo em que lê coisas boas sobre você, você lê coisas que não são verdadeiras. Eu prefiro mil vezes como estou agora.

A maternidade mudou muito a sua vida?
Sim, trouxe um sentido da vida que é um absurdo. Eu escutava frases do tipo: ‘Filho é o coração batendo fora do corpo’ e pensava: ‘Será que não é meio exagerado?’. Eu nunca fui de romantizar muito as coisas, mas, mesmo sendo muito prática e zero romântica, é uma coisa absurda na sua vida. É um ser humano que está o tempo inteiro na sua mente, no seu coração, você está fazendo alguma coisa aqui e está pensando no que ele estará fazendo. É maravilhoso.

Quando o Pinheiros entra na sua história?
Depois que eu casei e estava começando a pensar em engravidar, uma amiga me falou: ‘Olha, você tem de ter duas coisas para a sua vida ser mais fácil, tendo filho: ter uma boa babá e um clube’. Agora, ela ainda é muito pequenininha, mas daqui a pouco ela vai entrar no CAD e isso aqui vai fazer parte da rotina dela. Lembro que fui ao Pinheiros, peguei todos os documentos de que precisava, e fiquei em uma  ansiedade para chegar a hora de ter o título do Clube. Fiquei muito feliz, foi uma das melhores coisas que eu fiz.

Por que você escolheu o Pinheiros?

Não falo por ser perto de casa, porque as outras opções também estão por perto. A escolha foi por ter amigos aqui e porque sempre linkei o Pinheiros com o esporte. Conheço muita gente do Clube. Nas provas de Triatlo, sempre admirei os atletas pinheirenses. Acho isso daqui uma delícia. Acho que ter esse lugar bem centralizado é uma bênção. Segunda-feira, na parte da manhã, eu venho aqui para ver as araras, porque a Ana Beatriz ama vir ao Clube ver as araras. Gostaria de vir mais, tomar sol, mas venho nadar e correr à noite. Nos fins de semana sempre venho almoçar e trazer minha  filha para passear. Eu amo esse lugar.