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Longe do rótulo (que nunca gostou) de herdeiro, João Paulo Diniz, 53 anos, constrói seu próprio caminho, alinhando os ensinamentos do esporte com o prazer e o trabalho.

Filho de Abilio Diniz, um dos maiores empresários do Brasil, o pinheirense achou sua própria identidade no mundo empresarial.

Pai de quatro filhos e amante de esportes, João Paulo conta como o Pinheiros foi e é importante para a relação com a família, como se livrou dos estereótipos e fala sobre sua rotina de empresário/atleta/pai.

Sua paixão pelo esporte começou no CAD - Centro de Aprendizagem Desportiva. Do que você ainda se lembra daquela época?
A relação que tenho com o Clube vem desde a infância. Na época, o meu pai já trabalhava bastante e não tinha muito tempo para estar conosco. Fiz o CAD durante bastante tempo e vivia aqui. Até deixei metade do meu dente da frente aqui na quadra de cimento jogando Basquete (risos).

Além do esporte, o Clube promove uma relação familiar?
Lembro que fazia Triatlo e incentivei meu pai a começar a fazer também aqui na Pista de Atletismo. Hoje, meu filho é que está no CAD, mas a relação vai além. Sou Conselheiro da ONG Atletas pelo Brasil e conseguimos fazer um pacto muito legal com as empresas que apoiam o esporte. A primeira reunião desse acordo foi feita aqui no Pinheiros.

Hoje, quando você vem ao Clube, o que costuma fazer?
Faço musculação, às vezes corrida. Meu filho começou a ter aulas de Skate e ele não quer fazer sozinho.Quer que eu ande de skate também. Ainda bem que quando era pequeno andava de skate. Nos fins de semana, venho brincar aqui com ele.

Qual é a importância do Pinheiros na sua vida familiar?
O Clube ajuda muito nessa relação de família ligada ao esporte. Na época da minha infância, meu pai impôs muito o treino e aí depois fui gostando. Mas meus filhos mais velhos – um com 19 e outro com 17 anos – eu forcei muito e eles não gostam tanto. Já o de seis anos eu deixo mais à vontade e ele é apaixonado por esporte. Vem desde pequeno aqui, vê as pessoas fazendo atividade física, e começou a se interessar, a ter essa curiosidade. Ele está adorando o CAD, está no Judô. Eu fiz Judô também, quando era pequeno. Ele quer fazer o que o pai fez (risos).

Quando você lembra que seu pai o obrigou a fazer esporte, você agradece?
Agradeço. Acho que foi superimportante ter essa iniciação no esporte, desde cedo. Porque quando você está crescendo, está na adolescência, está desenvolvendo o seu corpo, é nessa hora que você tem que trabalhar o físico. Se tivesse começado a fazer
esporte depois de velho, mesmo gostando, não ia conseguir também, porque não teria desenvolvido meu corpo para o esporte.

Você pensou em ser atleta profissional?
Não. Nunca tive nem condição para isso. Nadava razoavelmente, mas nunca nadei muito bem. Sempre pedalei bem. Na corrida, conseguia correr boas distâncias. Então, em provas longas ia bem, mas nunca fui um cara rápido. Nunca tive velocidade na corrida.

Qual é a sua rotina de atividades?
Meu lazer é fazer esporte. Adoro surfar, esquiar na neve, fazer snowboard. Agora comecei a andar de Skate. Eu gosto de fazer um monte de coisas, então tenho que deixar o corpo sempre preparado. Hoje em dia, faço musculação de três a quatro vezes por semana, muito mais do que antes. Estou correndo muito pouco, porque estou com um problema no joelho. Normalmente, faço quatro vezes por semana. E pedalar, que é o que gosto mais, umas cinco vezes por semana.

Como nasceu o empresário?
Sempre fui um empreendedor, desde pequeno. Quando estava na Fundação Getúlio Vargas, com 20 anos, montei um negócio com um amigo. Sempre gostei de fazer coisas. E aí, depois de um tempo, fui procurando o que me dava prazer, então eram coisas ligadas ao esporte.

É uma característica sua misturar prazer com negócios. Você não acha perigoso?
É difícil, perigoso não. Às vezes é difícil conseguir conciliar as duas coisas, mas quando se consegue uma atividade que traz recursos e de que se gosta, é a melhor coisa. Você consegue trabalhar com mais vontade e mais prazer.

O que o atrai em um negócio?
Tanto no esporte quanto nos negócios, gosto muito de desafios. Sou um cara muito de ter ideias, gosto de criar coisas do zero.

Você vem de uma família tradicional e importante no mundo dos negócios. Sentiu esse peso quando saiu para buscar o seu caminho?
Tem uma relação de inspiração por um lado e de cobrança por outro, por mais que meu pai nunca tenha me cobrado muito. Minha formação foi na mesma faculdade que ele fez, na FGV. Quando você tem um pai como o meu, você acaba se cobrando mais do que ele. Ele sempre me incentivou muito e me acompanhou. Estava de olho no que estava fazendo.

Você acha que já se livrou dos rótulos que ganhou durante a sua vida?
Sempre tem um desavisado que me chama de herdeiro. Mas acho que sim. Já tive minha fase superesportista. Já tive minha fase mais pai atleta. Mais empresário.

Você acha que o esporte ensinou algo que você leva para a profissão e para a relação com os seus filhos?
O esporte ensina muito. Primeiro, dá o autoconhecimento. Você conhece o seu corpo e os seus limites. Depois, a partir do momento que você começa a praticar algo e gostar, para você evoluir, é preciso ter determinação e disciplina. Toda relação que você desenvolve com o esporte, você leva para a vida inteira. Não só para o trabalho, como para as suas relações pessoais. São aquelas coisas que você aprende no esporte, até de uma forma lúdica, quando você é pequeno, brincando.

Para você o tempo é a coisa mais valiosa que existe hoje?
Eu acho que para todo mundo. Quando você vai ficando mais velho vai dando mais valor ao tempo. Meus filhos adolescentes sempre deixam para depois. Cada dia é um dia que você tem que aproveitar para fazer o máximo que você puder e acabar seu dia bem, sabendo que você cumpriu o que tinha que atingir naquele dia.

Você acha que ainda tem algo a conquis1tar?
Tenho um filho de seis anos e uma filha de três anos. Quero educá-los e estar com eles. Pretendo poder estar nessa minha investida tentando ajudar as políticas públicas do esporte no País. Conseguir fazer a diferença e fazer o esporte se organizar no Brasil. Acho que, como o esporte ensina muito, isso precisa ser desenvolvido no País.