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De Pai para Filhos

Para comemorar o Dia dos Pais, a Revista Pinheiros conversou com o empresário
paulistano e sócio da Construtora São José, Mauro Cunha Silvestri.
Com sucesso em um dos mercados mais concorridos do País, o engenheiro se
orgulha de conseguir conciliar a atividade profissional, a familia e os esportes.
Aos 55 anos, sendo 50 de Clube, o pinheirense falou sobre os benefícios do
esporte, a educação dos filhos e a carreira. Confira.

 

O senhor é associado desde os cinco anos. Como o Clube entrou na sua vida?
O Pinheiros é parte importante na minha formação. Meus pais vieram para cá, quando ainda moravam no Ipiranga. Depois, escolheram vir para os Jardins, ideia da minha mãe, que teve uma visão fundamental me levando para estudar no Colégio Santa Cruz e me colocando em um clube esportivo, como o Pinheiros, pensando em me dar uma vida adequada, social e profissional.

E foi o que aconteceu. Aqui, eu acompanhei as muitas mudanças e, de certa forma, participei dessa construção toda, vi as transformações que aconteceram no Clube que, agora, não se fazem mais necessárias, mas foram na época. O Clube conseguiu uma evolução, se modernizou, se adequou aos tempos.

Lembro-me da árvore do Boliche, tradicionalíssima.
Meus pais foram esportistas e campeões de Boliche.

 

O senhor tem lembrança da época em que frequentava o Clube com seus pais?
Sim, eles iam jogar Boliche e eu ficava brincando na Pista de Atletismo. Eu tinha muita liberdade, ficava solto, porque não tinha problema nenhum.

 

Com essa boa relação com seus pais, como foi trazer seus dois filhos para o ambiente do Clube?
Uma experiência única. O esporte é muito importante na vida de uma pessoa, porque facilita os relacionamentos sociais, estabelece limites, traz motivação e interesse para alcançar objetivos. A vida precisa disso. Definir prioridades, avaliar alternativas, ter disciplina e reconhecimento do outro. O esporte, para mim, teve esse sentido e tento passar isso para os meus filhos. Eu nunca bebi, nem cerveja, bebo um copinho de vinho, porque minha descendência é de italianos e meu
pai me acostumou a isso. Nunca fumei, nenhum tipo de cigarro. Então, minha vida é pautada no esporte, que orienta para os caminhos certos, ao longo da vida.

 

Qual a relação deles com o esporte?
Meu filho tem 12 anos e escolheu o Futebol, mas não quer jogar de forma competitiva. Ele ainda não se sente preparado para competir. Eu não o obrigo a nada. Meu pai, quando me trouxe para o
Clube, eu com seis anos, ele falou ‘se vira’ e aí eu criei essa vontade, essa gana de competir. Eu queria que meu filho tivesse esse mesmo interesse, mas é de outra geração. Ele vem comigo, olha, corre, mas não quer competir, não quer confrontar.
A minha filha não, ela compete pelo Pinheiros, aliás, está nos EUA defendendo as cores do Clube. Ela tem 14 anos e eu fico muito contente, porque o esporte, para ela, vem em primeiro lugar. Mente sã, corpo são.

 

Como o senhor descobriu os esportes de interesse de seus filhos?
Coloquei-os no CAD e lá eles receberam orientação. Optaram pelo que quiseram, pela aptidão que tinham. A Luiza escolheu o Vôlei, que ela gosta muito. O Pedro está no Futebol, mas não competitivo.

 

Quais modalidades o senhor praticou aqui no Pinheiros?
Tênis, Futebol e Polo Aquático. Joguei um pouco de Vôlei e fiz Saltos Ornamentais.
Fiz de tudo um pouco, experimentei todos os esportes. Na minha época, não tinha o CAD, um Centro importante que apresenta as várias possibilidades e onde se descobrem as habilidades da criança.
Hoje, corro, quando posso, e faço sauna. Moro em um prédio atrás do Clube e venho a pé. Até a minha vida, hoje, é em função do Pinheiros. Sem o Clube, não sei o que eu faria. O Clube, para mim, é a minha segunda casa, quase o meu quintal.

 

Algum conhecimento, recebido do esporte, o senhor conseguiu passar para os seus filhos?
Foram tantos. Os mais relevantes são: disciplina e o respeito pelo indivíduo. Porque, quando você vai para um esporte, um campo de competição, que é uma batalha, você está preparado para competir, saber ganhar e saber perder. Meu filho, no entanto, ainda não está preparado para ouvir um ‘não’, uma reclamação. Até por isso, ele não vai. Acho que isso é uma coisa importante no esporte. Você saber seus limites, ter motivação para melhorar, aceitar seu adversário e até tentar superá-lo, pela ambição mesmo. É assim na vida, que também é uma batalha, não é?

 

Com uma filha no Vôlei, um filho no Futebol e esposa também jogando Vôlei, como conseguem se reunir e fazer um programa familiar aqui no Clube?
A gente vem para ver a Silvia, minha esposa, ou a Luiza jogando, depois a gente come uma pizza aqui e vai ao Lanchonete do Tênis, onde encontro meus muitos amigos. Nos dias de trabalho não, porque cada um tem sua atividade, seus compromissos, mas nos fins de semana, invariavelmente,
quando estamos em São Paulo, a gente faz um programa no Clube.

 

Como você administra o tempo de lazer e de trabalho?
Eu tenho muita disciplina. O esporte me deu muita disciplina. Então, a minha rotina é a seguinte: acordo muito cedo, às 6h30. Às 7h30, já estou no escritório e lá fico até perto de 19h. Depois,
venho para o Clube, dou uma corrida ou faço ginástica ou vou à sauna. Assim, administro meu tempo.

 

"Atualmente, o jovem tem muito
mais discernimento, mais informação
e é questionador. Então, eu prefiro
passar bons exemplos, como
praticando esportes."

 

Como o senhor se definiria como pai?
Como pai, é a busca incessante para dar limites e tentar, sutilmente, passar informação e as experiências boas, principalmente as aprendidas no Clube. Tento contribuir, sem ser muito taxativo, sem ser muito impositivo. Hoje, com os filhos, a base é o diálogo. Na minha época, não
era assim. Atualmente, o jovem tem muito mais discernimento, mais informação e é questionador. Então, eu prefiro passar bons exemplos, como praticando esportes. Eles vão absorver muito mais, até porque, como sempre fiz esportes, eles veem o pai com boa saúde. Não tomo remédio, nunca operei nada. Tenho uma saúde, como diz minha esposa, irritante de boa.

 

E como empresário?
Um lutador, porque, hoje em dia, no nosso País, ser empresário não é fácil, ainda mais nesse ramo da construção civil, que é concorrido e com regras que mudam muito. Eu continuo querendo melhorar todo dia, melhorar a entrega dos prédios, dos empreendimentos. É a busca incessante
para apresentar um bom trabalho.