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No dia quatro de julho de 2015, ao completar 50 anos, o pinheirense Flavio Freire resolveu festejar a data de forma diferente: planejou participar de 50 provas de rua. “Como sempre gostei de desafios, resolvi comemorar participando de 50 provas, entre 5 km e 21 km, com as seguintes metas: classificarme o máximo possível entre os cinco primeiros da nova categoria (50-54) e estar em primeiro lugar no Ranking Competitivo do Clube Pinheiros”, relembra Freire.
Presente selecionado, o associado, que tem uma longa história com o Atletismo, elaborou o seu planejamento e teve como resultado: 49 pódios, 27 medalhas de ouro e terminou 88% das 50 provas entre os cinco primeiros da categoria 50-54 anos.
Entre os diversos ensinamentos que o presente trouxe, o maior foi: “aprendi que podemos fazer quase tudo, se estivermos saudáveis, felizes e principalmente motivados”. Confira a entrevista com o pinheirense e se inspire para o seu próximo aniversário.

Como surgiu a ideia de participar de 50 provas no ano em que você completou 50 anos?

Fiquei pensando em como poderia comemorar o meu cinquentenário de uma maneira que tivesse mais a ver com a minha história no Atletismo. Corro desde os 14 anos, ou seja, são 36 anos de corrida, sendo boa parte desse tempo como corredor de alta performance.

Como foi montado o planejamento para correr 50 provas em 12 meses?

Posso dizer que foi uma tarefa que exigiu bastante planejamento, pesquisa e uma planilha muito bem elaborada, rotina que eu particularmente adoro fazer, tudo baseado em planilhas.

Qual a parte mais difícil desse desafio?

A parte mais difícil foi logo no início do calendário de provas, mais precisamente em fevereiro, quando comecei a sentir muita dor no calcanhar e, depois de fazer uma ressonância e passar por consulta com um ortopedista, o diagnóstico foi fratura por estresse no calcâneo. Como nunca desisti facilmente de ir atrás dos meus objetivos, consultei o meu médico e perguntei se o meu tipo de lesão podia ter consequências maiores se continuasse a participar de competições. A resposta foi baseada no meu quadro clínico e também por me conhecer como atleta. Ele falou que não teria nenhum problema maior, mas que teria que administrar e ajustar a minha rotina de treinamento e suportar a dor.

O que você precisou fazer para competir?

Procurei uma fisioterapeuta extremamente competente que tratou do meu quadro para que eu conseguisse participar das provas sem comprometer outras partes do corpo. Deu muito certo, graças à minha fisioterapeuta e também ao meu terapeuta, que foram fundamentais para eu conseguir administrar as dificuldades emocionais que fizeram e fazem parte das competições.
Qual a sensação de cumprir o planejado?

A sensação é de “poder”. Depois de tantos anos competindo em alto nível e fazendo os ajustes, em função da idade e de outros compromissos que fazem parte das nossas vidas, essa sensação de que ainda posso definir metas e alcançá-las é fantástica.
Qual a importância de se criar uma meta e seguir um planejamento para cumprir um desafio pessoal?

Para tudo na vida, se faz necessário estudar, definir e planejar para ser bem-sucedido nos seus objetivos. Sem isso, estamos fadados à derrota e, consequentemente, à frustração.

Qual o momento mais importante para você nesse período?

Na verdade, cada prova foi um momento importante, pois sabia que só iria conseguir cumprir os meus objetivos se conseguisse vencer todas as dificuldades de uma prova, as minhas limitações e a dor da minha lesão.

O que você vai levar dessa experiência para o resto da  sua vida?

Esse período, em que comemorei o meu cinquentenário, foi muito especial na minha vida, não só porque estava completando 50 anos, mas para refletir muito sobre como quero viver os mais 30, 40 ou 60 anos restantes da minha vida. Conclui que podemos fazer quase tudo, se estivermos saudáveis, felizes e principalmente motivados. Também aprendi que posso ser cada vez melhor em tudo que faço e em como sou.  Aprendi que existem pessoas que realmente compartilham e torcem pelo seu sucesso. Aprendi que o meu limite é desconhecido e que quero conhecer a cada dia um pouquinho mais dele.

O que você diria para quem quer vencer um desafio pessoal?

Adoro desafios, vivo graças aos desafios que surgem todos os dias na minha vida, que não é diferente da vida de outros. Recomendo, para quem quer viver sempre motivado, que crie desafios para si próprio e nunca para provar algo para os outros. Um desafio tem que ser pessoal e os sentimentos positivos ou negativos são intransferíveis.

Das 50 provas, você chegou 27 vezes em primeiro lugar. A que se deve esse resultado?

Para quem não sabe, essa categoria que compreende entre 50-54 anos ainda é uma faixa etária muito competitiva, pois para chegar entre os cinco primeiros é necessário cumprir os 5 km entre 18 e 19 minutos e os 10 km entre 38 e 40 minutos. Em função da minha lesão, tive de fazer um grande esforço físico e psicológico para fazer o meu melhor, no momento, e conseguir vencer os meus adversários. Fez diferença os tantos anos de treinamento e a experiência adquirida neste período.

Em algum momento você pensou que não iria conseguir?

Nunca. Em nenhum momento eu pensei que não conseguiria, isto nunca nem chegou perto de tudo o que pensava. O meu comprometimento com tudo que eu assumo na vida foi o mais importante para terminar todas  as provas.

No que o Atletismo o ajudou?

O Atletismo me ajudou em quase tudo na minha vida. Como eu pratico esse esporte há 36 anos, tudo está direta e indiretamente enraizado nesta modalidade.

Como você chegou ao Pinheiros?

Fui atleta competitivo do Clube quando tinha 15 para 16 anos de idade. Fiz um teste no Clube que compreendia correr em 12 minutos o máximo que se podia. Corri 3.940 metros, o que significa uma média de 3 minutos e 3 segundos por quilômetro.
Qual a sua relação com o Clube hoje? Sou associado há 10 anos e usufruo tudo o que o Pinheiros oferece, como todos, mas também sou personal trainner e atuo no Fitness, algumas vezes na semana.

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