Conhecida como “a primeira dama da notícia”, a associada Lillian Witte Fibe faz parte da história da imprensa do Brasil e é uma referência no jornalismo, televisivo e online. A pinheirense começou a carreira em 1973 e ficou mais conhecida por seu trabalho como âncora dos telejornais, tratando de temas políticos e internacionais. Veterana do ECP, Lillian passou a infância no Clube, principalmente nadando nas piscinas. Em entrevista à Revista, a jornalista fala sobre sua carreira, as mudanças ocorridas na profissão com o advento da internet e como o Pinheiros fez parte da sua relação familiar.

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Você começou a trabalhar como jornalista, em um jornal impresso, na época da Ditadura. Hoje tem um site na internet e escreve o que quer. Como foi essa mudança?
Hoje o Jornalismo, em relação há 43 anos, é muito melhor. Apesar de todos os problemas que vieram com a internet, como o uso de identidades roubadas, ninguém é ingênuo, mas perto do que era em 1973 a diferença é abissal. Não é por idealismo, não é por desejo. É por causa não só do nosso futuro, mas também por causa do futuro das próximas gerações. É uma coisa que solidifica muitos direitos civis, direitos individuais, a liberdade individual, de pensamento.

Você foi uma das pioneiras no jornalismo pela internet no Brasil. Houve o medo de mudar, ainda no ano 2000?
Não tive medo. Brinco que adoro o progresso. E a internet foi uma descoberta para o mundo. Percebi logo: a internet é o máximo. Abriu janelas. No comecinho, voltava do Jornal da Globo e ficava até quatro, cinco horas da manhã na internet porque não conseguia dormir antes de ver as manchetes do The New York Times e do Washington Post. Lia as primeiras páginas, para ver se não tinha algum furo importante. E era a internet discada, levava horas para carregar as páginas. Éramos muito fechados. Em 1973, tinha de ir ao arquivo do jornal, ficar mexendo em um monte de papel amarelo para me informar sobre uma reportagem que ia fazer. Nossa vida melhorou horrores. A internet é básica para isso. Trabalhei no portal Terra, para começar a fazer jornalismo com áudio e vídeo na internet.

Na TV, a resposta era imediata e agora você consegue medir seu alcance na internet?
Não se compara. A internet é bem pequena. Em compensação, é muito mais qualificada. A quantidade não dá para comparar, mas a qualidade é bárbara, é ótima a interatividade. O segredo da internet é a interatividade do bom jornalismo. Não vale continuar fazendo só monólogo.

No seu site você fala apenas sobre o que quer?
A minha independência editorial hoje não tem preço.

Você começou na TV em 1982 como comentarista e chegou a ser âncora do Jornal Nacional. O que você lembra desse tempo?
Eu tinha um quadro no Jornal da Globo, mas também fiz muita reportagem externa de economia para o Jornal Nacional. Comecei na Band como comentarista, mas logo fui para a TV Globo. Depois de um ano, a Globo me chamou e aí fiz bastante externa, o que também foi ótimo. Jornalista é repórter.

Uma capa da revista Veja na época a chamava de “a primeira dama da notícia”. Como foi uma jornalista virar notícia?
Parece que foi de repente, mas não foi. As coisas foram acontecendo. É a tal da credibilidade.

É possível se divertir apesar da correria?
Adoro trabalhar. Tive muita sorte de trabalhar com algo que gosto. Admiro minhas amigas que têm outras habilidades, pois eu só sei lidar, trabalhar com a notícia.

Você é viciada em notícia ainda?
Sim. Acesso todos os meios que você possa imaginar. Todos os meios que conheço e hoje o mais importante é a internet.

Voltaria para a TV?
Não vejo hoje alguma coisa que tenha na TV que me motive. Está no meu cenário mais um canal no YouTube, alguma coisa na área do vídeo, com muita interatividade. Quero explorar melhor isso a qualquer momento. Gosto de novidade e o mundo também. Vou começar a estudar isso direito para fazer um trabalho com um produto final de qualidade.

Como surgiu sua história com o Pinheiros?
Não sei dizer direito quem, mas sei que tenho algum bisavô que foi meio que fundador do Pinheiros. Não sei se foi formal ou informal. Tem uma história de doação de terreno desse que era meu bisavô. Ele era do Sport Club Germania. O que sei é que a minha mãe e as irmãs eram associadas desde que nasceram com aquele título antigo, o título familiar.

E quando o Clube entra na sua vida?
Desde que me conheço por gente. Porque meus pais não tinham dinheiro para viajar nas férias e meu pai deixava a gente no Clube cedo, às 7h da manhã. Minha mãe levava sanduíche de casa para comer na hora do almoço. Nem sei se tinha lanchonete nessa época. Mas também era por medida de economia. Passávamos o dia no Clube nas férias, direto. Não viajávamos.

Você tem dois filhos. Eles também aproveitaram?
Muito, muito. Íamos bastante ao Clube. Eles fizeram Natação durante muito tempo e eu cheguei a matriculá-los em aula de Tênis. Os dois não continuaram sendo tenistas, mas fizeram aula no Clube. Minha filha aprendeu a nadar no Pinheiros assim como eu, meus dois irmãos e duas primas aprendemos a nadar no Pinheiros.

Hoje, você frequenta o Clube?
Os filhos ficam adultos, vai cada um para o seu lado. Meus filhos já moraram nos Estados Unidos, na Inglaterra e começamos a frequentar menos. Hoje em dia, eu vou mais quando tem Festa Junina, por exemplo, para levar os netos. Minha filha quando trouxe meu neto ele gostou tanto que não queria ir embora. Só saiu do Clube porque ia para a minha casa. É carioca, mora na praia, mas ele adora o Pinheiros.