João Gomes Júnior viu seus esforços de muitos anos recompensados ao conquistar a medalha de prata e o recorde das Américas na final dos 50m peito do Mundial dos Esportes Aquáticos, nesta quarta-feira (26), em Budapeste. Ele marcou 25s52 e, além do recorde do continente americano, fez a quarta melhor marca na prova em todos os tempos. As três primeiras foram do britânico medalhista de ouro Adam Peaty, com 25s99, que superou o recorde mundial nas eliminatórias (26s10) e nas semifinais (25s95). Desta forma, João é o segundo homem mais rápido na prova. O bronze foi para o sul-africano Cameron Van der Burgh (26s60) e o quarto colocado, o brasileiro Felipe Lima (26s78).

“Mirei o Peaty o tempo todo. Queria ganhar essa medalha porque a prova perfeita é aquela em que você sobe no pódio”, disse João logo após a vitória à imprensa internacional.

Resiliência é o sobrenome de João. Ele vem desde 2008 na elite da natação, mas ainda não tinha alcançado o pódio mundial. O nadador capixaba tem uma trajetória incomum. Começou a aparecer no esporte mais tarde que os demais porque optou por obter primeiro um diploma (sistema de informação). Passou pelas maratonas aquáticas (nadou a seletiva para o Pan de 2007 em Copacabana). Foi guarda-vidas e em sua primeira semana de trabalho teve que retirar um corpo da praia. Em 2014 foi suspenso por seis meses por um resultado adverso para um diurético. Ficou comprovada a não intenção no uso, mas o episódio foi um divisor de águas que o fortaleceu para as adversidades. Um pouco antes dos Jogos Olímpicos, ao lembrar do episódio, ele disse: “Comecei do zero”.

“Somos brasileiros e a gente se adapta a tudo. Já passei por muita coisa. Não dá pra descrever essa sensação. É a concretização de um sonho, de uma meta. Estou muito feliz pelo início do meu ciclo olímpico. Eu vou estar em 2020. Vou lutar por isso. Não nadei muito bem os 100m e fiquei de fora da final por uma fatalidade. O Adam é um cara a ser estudado. Nós também, eu e o Felipe, temos que ser estudados porque fomos os mais velhos da prova e todo mundo achava que era impossível, que a gente não ia conseguir. Estamos mostrando para o mundo que a natação não tem idade. Fico muito feliz por esse vice-campeonato e eu quero mais. Vou trabalhar, vou lutar pra ser o segundo homem a entrar na casa dos 25s”, declarou o atleta do Pinheiros.

Sobre a Olimpíada do Rio 2016, quando foi quinto colocado, diz que sentiu um misto de alegria e frustração. “Nos Jogos, saí frustrado, mas feliz porque ser o quinto do mundo não é pouca coisa. Mas eu queria mais, tinha treinado para mais. E aí um ano depois ganhar uma medalha na competição mais forte da história do estilo peito me deixa muito contente por fazer parte deste capítulo do livro da natação mundial”, disse. “Agradeço a todo mundo que me apoio porque sem esse suporte não conseguiria chegar até aqui.”

Fonte: CBDA
Foto: Satiro Sodré/CBDA