*Por Leonardo Matta, profissional de educação físico convidado pela BSN

Quantos de vocês acreditam que quanto mais movimentarmos a região onde há maior deposição de gordura maior será a redução de gordura localizada? Existe essa possibilidade? Exercícios repetitivos para a região reduzem mesmo a gordura?

Adianto a resposta dizendo que NÃO. O nosso tecido adiposo é formado por células conhecidas como adipócitos, cuja principal função é o armazenamento de energia. O tecido adiposo é encontrado em maior quantidade abaixo da nossa pele, distribuído de forma irregular pelo corpo (alguns lugares têm um tecido adiposo maior, mais espesso) e também no abdômen em torno das nossas vísceras. A gordura, por sua vez, é acumulada em nosso corpo quando passamos a ingerir mais calorias do que gastamos no nosso dia.

Pensar que mobilizar mais um membro do que o outro em função da queima da gordura subcutânea é errado, tendo em vista que o músculo durante a contração utilizará o glicogênio (reserva de carboidrato) e, dependendo da magnitude e do tempo do estímulo, mobilizará gordura de dentro do músculo e não a gordura que a gente vê e se incomoda. Ainda assim, pensar que mobilizar uma região resultaria na redução da gordura local é um erro, pois quando pensamos em queima da gordura devemos entender que ocorre no corpo como um todo, não havendo possibilidade de queimar mais a gordura de uma região do que de outra.

O exercício físico é capaz de mobilizar grandes estoques de gordura para fora da célula com o intuito de ser oxidada (queima de gordura), tanto durante quanto após a atividade. Hoje o HIIT tem mostrado ser bastante eficaz na mobilização de gordura, mas é fundamental entender que a adequação da dieta combinada com exercícios que busquem romper a sua zona de conforto são os produtos chaves para a redução da gordura global e localizada.

Espero que tenham entendido que a gordura se oxida como um todo, resultado de um processo global de dieta e treinamento. Chega de acreditar que 1000 abdominais secam barriga, ok?